sábado, outubro 28, 2006

Debate


Gostei do debate realizado ontem - exceto pela participação dos tais "indecisos", pois como bem disse a Jade, isso me parece mais um "engano-bobo" da Rede Globo.

Em razão das regras do debate, as propostas finalmente apareceram - timidamente, mas apareceram - sendo que estas foram decepcionantes. Ao ouvir os presidenciáveis pensei comigo: o que é pior? Um debate sem propostas? Só com bate-boca, como foi o realizado entre os candidatos ao governo do Estado do Paraná. Ou um debate com "propostas", entretanto, recheado de mentiras e demagogia? Acho que fico com a primeira, neste caso, pelo menos é possível dar alguma risada!

De todo modo, neste post pretendo comentar alguma coisa sobre o último debate destas eleições.
Durante as quase duas horas de debate, Lula, me pareceu mais à vontade, enquanto Alckmin demonstrava mais apreensão. Lula abriu a porta do estoque de mentiras e omissões, já Alckmin, aparentava ter desistido da vitória, pois não conseguia refutar os pseudo-argumentos do petista. Enfim, algo que eu já desconfiava agora é definitivo: nenhum dos dois atuais candidatos a presidente nos servem! Nenhum dos dois apresentou um projeto, mostrando onde pretendem levar o Brasil ao fim do seu mandato. Ambos simplesmente competem no campeonato do "chutômetro".

Lula gosta de dizer que hoje o risco-país do Brasil está muito baixo, que a Selic apesar alta, encontra-se num nível bem inferior ao quando ele assumiu, que a inflação está controlada, etc. Entretanto, o que ele parece não saber (e nem Alckmin, pois ele nunca se ateve a isso de forma contundente) é que no período em que os tucanos estiveram no poder, nós tivemos as crises do México em 1995, dos “Tigres Asiáticos” em 1997-1998, da Rússia em 1998-1999, Argentina em 2001-2002. Além da recessão econômica de 2000, da maior economia do planeta. Enquanto que hoje o mundo está crescendo, só o Brasil ficando para trás.

Num dado momento, Lula deixou claro que considera o povo brasileiro muito burro, ele disse que o desmatamento da Amazônia caiu 52%! Realmente o desmatamento caiu, no entanto ele não disse qual era o ponto de referência. O jornal Folha de S. Paulo do dia 27 desse mês, publica um gráfico mostrando quanto foi desmatado ano a ano, esclarecendo que no período de agosto de 2003 a agosto de 2004 o desmatamento alcançou o segundo nível mais alto desde o início da monitoração, esta foi a referência adotada. Além disso, nos dois mandatos de FHC o desmatamento chegou a 77,7 mil e 74,7 mil quilometros quadrados, respectivamente, já no governo petista o desmatamento deverá alcançar o patamar de 84 mil quilômetros quadrados. A sorte dele é que nem mesmo Alckmin devia ter conhecimento disso.

O candidato do PSDB, por sua vez, deixou muito claro que o estilo de debate que a Globo adota pelo segundo ano consecutivo, não o deixa muito à vontade. A impressão que me causou é que ele não conseguia formular adequadamente seu raciocínio, impossibilitando-o deste modo de refutar, eficazmente, as palavras do provável futuro presidente do Brasil. O tucano só conseguiu se sair satisfatoriamente quando tocou no seu tema favorito: corrupção! Nos demais, sua atuação foi deprimente.


Para encerrar: aquela história, que se os votos nulos ultrapassarem a marca de 50% mais um, os candidatos deverão ser trocados... era mentira mesmo??

Um comentário:

Márcio Pimenta disse...

"Nenhum dos dois nos serve". Concordo plenamente! A falta de proposta, de ambas as partes, é um reflexo da apatia política no Brasil.

O tucano gosta do tema corrupção por que pode esbravejar e falar o quanto quiser, ainda que não tenha prova alguma ou quando as mesmas começam a se aproximar do PSDB e não do PT. Mais um sintoma de desrespeito com a população.

Lula fala que melhorou e coisa e tal, mas a verdade é que patinamos há muito tempo neste ostracismo econômico.

Quanto às crises internacionais dos anos FHC, Alckmin não esqueceu de citar não, ele simplesmente não pode falar nada. As crises somente atingiram o Brasil, por graça e obra de FHC que teimou em segurar uma moeda, com fins eleitoreiros, que há muito o mercado julgava sobrevalorizada. Quebrou o país para assegurar sua reeleição.