sábado, outubro 21, 2006

Carta Capital e o jornalismo panfletário



Nesta semana que termina, um assunto foi muito discutido: a matéria de capa da revista CartaCapital, do veterano jornalista Mino Carta [foto]. Nesta reportagem a revista levanta a suspeita de ter havido uma trama às vésperas do primeiro turno das eleições, na qual o objetivo seria desmoralizar o candidato petista à presidência da República, e por outro lado, beneficiar o candidato tucano.
A meu ver, essa matéria de capa da CartaCapital (nº 450, 18/10/2006), sob o título geral "A trama que levou ao segundo turno", entra para a galeria das principais reportagens do jornalismo panfletário, galeria esta que a Veja e a Isto é "comandam".
Logo de início, vale frisar que a reportagem é prepotente e claramente facciosa, em momento algum busca alguma isenção, ainda que formal. À título de exemplo, atente-se para as perguntas tendenciosas enviadas ao diretor de jornalismo da Rede Globo. Esta publicação em vez de propor uma salutar troca de idéias sobre o papel danoso que a principal emissora de TV do país vem exercendo ao longo da tradição democrática brasileira, surge no horizonte fazendo acusações sem provas, como se fosse um mero panfleto de campanha do PT.
Confesso não ser leitor assíduo desta publicação, assim como deixei de ser da Veja e da Isto é. A revista de Mino Carta demonstra sempre que possível sua tendência de se aliar ao PT, a Veja é claramente tucana, e a Isto é, talvez por seu estado pré-falimentar, há alguns anos vem fazendo o jornalismo "Casas Bahia": "quer pagar quanto?"
Abrindo um parêntese neste post, quero ressaltar que Mino Carta, talvez seja o mais importante jornalista com atividade no país. Ele foi um dos fundadores de alguns dos principais veículos de comunicação do país, tais como: Quatro Rodas, Veja, Jornal da Tarde, Jornal da República, IstoÉ, Senhor, a própria CartaCapital etc.
Fechado o parêntese e voltando ao assunto em pauta, muito embora eu concorde que a mídia, através de seus diversos veículos, em muitos episódios tenha uma atitude, no mínimo estranha, entendo que para alguém afirmar algo com tamanha gravidade, como haver uma suposta "trama" para beneficiar ou prejudicar esta ou aquela pessoa, deve apresentar provas contundentes, sob pena de se tornar nada mais que um instrumento político. Para fazer as acusações, a publicação funda-se na existência de uma fita - que inclusive circula pela internet, caso alguém tenha interesse em ouví-la o blog do Márcio tem o link - afirma que a Tv Globo, teve acesso à esta fita, e o que é pior, o próprio Mino Carta em seu blog, reconhece que a reportagem foi elaborada à partir de uma "transcrição parcial" desta fita. Isto é, tacitamente, reconhece que a intenção da reportagem era alçar a revista a um nível de destaque midiático equiparável à Veja, Isto é ou Época.
Enfim, com a reportagem eleitoreira da CartaCapital fica claro que a imprensa brasileira é facciosa além de muito pouco confiável. Neste caso, Mino Carta realmente está correto em dizer que esta é uma das piores, senão a pior, imprensa do mundo.

4 comentários:

terrorista disse...

malditos sejam

Caco disse...

O jornalismo sempre carregou consigo a imagem da indepedência e inteligência - principalmente na midia impressa. A TV (Globo) sempre foi um caso à parte. Os casos recentes do jornalismo CasasBahia detona esta tradição e a sociedade fica sem esta fonte de referência. Crise de confiança absoluta.
Abraço.

Cássio Augusto disse...

Pois é meu caro... infelizmente aqui no interior do Paraná eu ñ tenho acesso à Carta Capital... mas fiquei sabendo "por cima" de seu conteúdo... e assim... nenhuma imprensa é imparcial... nem a história é contada de forma imparcial... muito menos o nosso Blog é imparcial!!!

Ah!!! tem um post pra vc no meu Blog... vlw!!!

Bru disse...

Voltei :p não precisa me adicionar aos perfis de gente morta tá :p

Não gosto muito da Carta Capital, prefiro Veja porque não gosto do Lula, ou esse povo dá mais crédito à Rede Globo do que ela merece ou pensam que os brasileiros são todos burros ¬¬