quarta-feira, janeiro 03, 2007

Que tal uma redução no número de parlamentares em Brasília

Estou de volta para mais um ano cheio, de início quero tocar, ainda que de leve, no assunto mais comentado no final do ano passado. Claro que eu não poderia me esquivar de comentar sobre o mega-reajuste salarial que os nossos "representantes" no Congresso Nacional, concederam a si mesmos!
O reajuste - que supostamente, até serviu de justificativa para uma "Maria Louca" da vida esfaquear o queridinho do Toninho Malvadeza - materialmente falando, não tem nada de inconstitucional e muito menos ilegal. O ato no máximo pode ser considerado imoral. Falando em moral, uma dúvida me surge: depois de todos os fatos já foram exaustivamente abordados pela mídia, nacional e até internacional, faz sentido exigir moralidade por parte do antigo Congresso?
Kant, um dos maiores filósofos da humanidade, formulou um princípio que se todos nós o levássemos a sério, certamente o reajuste não teria acontecido. Segundo o filósofo, quando pratico alguma ação, seja ela qual for, ao mesmo tempo concordo que qualquer outra pessoa pratique aquele mesmo ato, isto significa que a responsabilidade pela moralidade da sociedade recai sobre cada indivíduo integrante desta sociedade. Exemplificando: se eu crio um blog, ao mesmo tempo concordo que o meu vizinho também crie um; se eu uso a calça do meu irmão sem avisá-lo, aceito de ante-mão, que ele faça o mesmo com as minhas calças, enfim, se em qualquer época da vida pratico um ato imoral, concordo que o meu semelhante também pratique algo imoral.
Digo isso, porque nestas últimas eleições o povo brasileiro praticou diversos atos imorais, elegendo gente como Clodovil, Maluf, Antônio Palocci, e principalmente, reconduzindo o presidente Lula para mais quatro anos de mandato. Isto é, ao concordar com toda a imoralidade praticada pela classe política, agimar imoralmente, deste modo, como poderemos apontar o dedo para os congressistas dizendo que eles são imorais?
Por isso, sigo por outro caminho. Me parece que 513 deputados e 81 senadores é muita gente! Fala-se que antes do reajuste a classe legislativa alojada em Brasília consumia algo em torno de 5 bilhões de reais por ano, acrescente-se mais de 90% de aumento, e imagine para quanto irá o gasto público só com deputados federais e senadores.
Depois disso, descobrimos por que a carga tributária em nosso país é tão alta e os serviços públicos tão ruins.
Não quero discutir se estes gastos são ou não supérfluos, o meu foco é outro. Eu gostaria de saber se é realmente necessário tanta gente assim? Não seria um excelente momento para ser proposto o enxugamento do Parlamento? Certamente, com um número menor de eleitos o gasto com público seria, drasticamente, reduzido.
Atente-se ainda para o detalhe de que tomando por base a forma como as decisões são tomadas no Congresso tenho certeza que uma redução no número de parlamentares não faria muita diferença, afinal na maioria das vezes os líderes de cada partido ou em outros casos do grupo supra-partidário, são os responsáveis pela tomada de decisões, para em seguida somente repassarem ao demais integrantes da bancada qual será a diretriz. Outro grande benefício que a sociedade teria com a redução, diz respeito à fiscalização que seria, amplamente, facilitada.
Por tudo que foi dito é que eu pergunto: por que não começarmos a pensar numa redução no número de deputados federais e senadores?

2 comentários:

Márcio Pimenta disse...

Em resposta a sua pergunta, eu acredito que seria perfeitamente possível. Talvez seja até mesmo uma maneira mais fácil de reduzir os custos com estes sugadores. Mas é bom lembrar que ainda há gente séria por lá.

Bruno Giroto disse...

Em primeiro lugar, não concordo com o que vc disse sobre o "ato imoral" do povo em reeleger Lula. Logicamente seu governo cometeu vários erros, mas comparando com o PSDB de Alckmin e o PFL(não se esqueça da AREANA...)foi a melhor alternativa de longe para o páis. Ademais, não compartilho da idéia de diminuir o número de parlamentares. O Brasil é um país de dimensões continentais e, portanto, necessita de um largo número de políticos, já que cada matéria precisa ser amplamente discutida a fim de atender os interesses nacionais. A representação proporcional da Câmara, conseguintemente, reflete tal fato.