quinta-feira, dezembro 07, 2006

Constantino se converteu ao cristianismo? Ora, caia na real!

A conversão do Imperador romano Constantino é considerado o fato mais emblemático na história do Cristianismo, depois dos relatos bíblicos. Como decorrência desta "conversão" em 313, ele assinou um decreto, conhecido como "Edito de Milão" ou "Edito da Tolerância", no qual a religião surgida a partir dos ensinamentos de Jesus Cristo deixou para trás os tempos de clandestinidade no Império Romano, (porém o reconhecimento como a religião oficial do Império só viria a acontecer mais tarde, com Teodósio). Além disso, a promulgação do Edito serviu como ponta-pé inicial para a Igreja de Roma, aos poucos, alcançar a primazia religiosa que sustenta até hoje.

A explicação oficial para esta, suposta, conversão é que na noite anterior à uma das inúmeras batalhas empreendidas pelo exército dirigido por Constantino, este teria sonhado com uma cruz, na qual havia a seguinte inscrição:

"Sob este símbolo vencerás!"

Na manhã seguinte, ele ordenou que fosse pintada uma cruz em todos os escudos da soldadesca e a batalha resultou numa esmagadora vitória do seu exército. A partir daquele momento, Constantino, passou a se confessar cristão. Sendo esta a razão, inclusive, para a cruz ter se tornado o símbolo do cristianismo.

Entretanto, a despeito deste relato, não me convenço que houve uma conversão sincera. Me parece que Constantino enxergou no cristianismo um meio de consolidar seu poder, já que após a vitória na citada batalha, ele se convertera no único soberano do lado ocidental do Império e os cristãos formavam o único grupo que não o via como seu Senhor Supremo.

Sem esquecer que grande parte dos cristãos daquela época, preferiam a morte, a ter de participar de rituais não-cristãos, muitos pagando com a própria vida por tamanha "desfaçatez". Esses "mártires", como ficaram conhecidos, morriam por amor à sua causa, o que certamente deixava os integrantes do alto comando romano, bem como o próprio Constantino, perplexos diante de tamanho nível de entrega.

Vale ressaltar ainda que um antigo historiador chamado Políbios, certa vez, ao analisar as crenças gregas e romanas, ao final concluiu que os romanos tendiam a praticar menos iniquidades que os gregos, pois acreditavam na existência do inferno.

Diante destes fatos, Constantino como grande estrategista, provavelmente, entendeu que uma vez controlando esta religião, teria sob suas ordens um excelente contingente humano. Isto é, o Cristianismo, lhe seria muito útil, ainda que sinceramente não acreditasse nele.

Enfim, a "conversão" de Constantino, provavelmente não ocorreu - lembrando que seu batismo se deu apenas em seu leito de morte - ele apenas enxergou na crescente religião um instrumento para unir um Império que já dava sinais de desgaste.

20 comentários:

Marco Vicente disse...

creio que possa existir pessoas viciadas em escrever...
tenho um amigo que sempre diz, referindo-se a escrever:
"nenhum dia sem uma linha". Segundo ele, a frase é do Sartre...

Sobre constantino, pode ser que na verdade ele se converteu ao inferno, afinal, pelo visto, ele gostou mesmo foi do medo do inferno que os cristãos sentiam e utilizou-se disso para manipulá-los, mas para que isso pudesse ocorrer ele deveria primeiramente se tornar cristão. Ou, como escreveu Maquiavel: "ao menos parecer ser", ou coisa que o valha...

abraço...

Caco disse...

Adoro estas histórias dentro do catolicismo. Por vezes bizarras, outras feéricas, sempre geram polêmicas.

E nós dois adoramos polêmicas, certo?

Abraço e aproveite a semana.

Uilians disse...

Na verdade, Constatino foi um politico de visão. Como viu que o cristianismo não parava de crescer ele utilizou isso como forma de ficar bem com as massas que não paravam de crescer e influenciar a sociedade. Pelo jeito deu certo. O Cristinaimso atravessou milênios e hoje é a força que vemos. E a igreja de Roma, bom é outra história

Gostei do seu blo passe no Palavras Certas
http://certas.blogspot.com

Cássio Augusto disse...

Pois é... a história oficial não necessariamente é verdadeira!!!

Aruan disse...
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Aruan disse...
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Omar disse...

É verdade, Aruan, qdo disse q Constantino, tornou o cristianismo a religião oficial do Império Romano, obrigado pelo "toque", já corrigi a falha!

Fr. Domingos da Santa Paciência disse...
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Douglas disse...

Muito esclarecedor! Mas na verdade, estou querendo saber mais sobre a compilação dos evangelios, afim de criar um novo testamento favorável, que Constantino fez na ocasião de sua "conversão". Alguém pode me ajudar?

Douglas disse...

Muito esclarecedor! Mas na verdade, estou querendo saber mais sobre a compilação dos evangelios, afim de criar um novo testamento favorável, que Constantino fez na ocasião de sua "conversão". Alguém pode me ajudar?
braga.douglas@gmail.com

VALORES DO CASAMENTO disse...

A conversão significa "MUDANÇA DE CAMINHO", o que não aconteceu com CONSTANTINO, pois depois da sua suposta "CONVERSÃO" mandou matar seu cunhado chamado Licínio e o seu próprio filho Crispo, filho do seu primeiro casamento.Sem falar também na outra vítima,sua mulher Fausta, que também conheceu a Tanatos.É difícil acreditar na conversão desse cidadão.

L. Henrique S. Sebastião disse...

A questão é muito simples: se por um lado não se poderia afirmar que Constantino de fato se converteu, de outro, seria ainda mais forçado (bem mais forçado, a bem da verdade) se afirmar com toda essa segurança que Constantino não se converteu.

"Cair na real", de fato, seria se ater a própria insignificância e reconhecer que nenhum de nós estava lá, e menos ainda seríamos capazes de dar testemunho do que se passava na consciência de Constantino, para afirmar o que houve, de fato.

FATO é que a vida de Constantino mudou definitivamente depois do ocorrido, como acontece sempre com todos os verdadeiros convertidos. E outro FATO é que a história do cristianismo mudou para sempre depois disso. Dois FATOS que sem dúvida nenhuma devem ser levados em consideração numa análise realmente imparcial.

Abraço!

Vera disse...

Constantino não se converteu ao Cristianismo. Constantino X antiga igreja romana, igreja que no ato da criação deste Cristianismo que é seguido de forma declarada por várias religiões, e de forma disfarçada por todas as outras. Eles criaram esse Cristianismo que prega exatamente o oposto do que Cristo tentou ensinar (AntiCristo???), com o objetivo único de dominar o mundo e as massas... o que me faz lembrar o rato branco de um cartoom que não lembro o nome.
Esse Cristianismo não tem nada a ver com Cristo, e nem o Messias desse Cristianismo é Jesus Cristo. O Messias dele é Constantino.

Tb gosto do Chapolin & Chaves.

Anônimo disse...

Amigos sabemos que o envangelho de Jesus Cristo que é o cristianismo jamais seria vencido por algum imperador e a unica saida que o diabo e seus anjos maliguinos acharam para poder parar por um tempo determinado por Deus foi essa questão ai em cima ele ter fingido ser cristão pois vemos que ele com a astucia do inferno acabou com a primeira igreja cristã fundada por cristo e seus apostolos ele implantou na igreja catalica o velho testamento dinovo só assim ele poderia escravizar o povo pobre e rico daquela epoca com a lei de moises assim forçaria osd homem a lutar por uma causa que cristo abuliu a violencia não se iludam com esses falços cristãos que usam da palavra de Deus para seus proprios beneficios e ganancias e resumindo Deus abandonou a igreja catalica quando constantino implantou varias praticas do velho testamento

Nonato de oliveira disse...

nisso tudo faltou ser citado a proposta dele q foi abolir o sabado e aceitar o domingo como dia santo para assim acabar com as perseguiçoes.

Rubão disse...

OLÁ JÁ PASSEI POR AQUI AO ACASO UMAS DUAS VEZES, PRECISO AGRADECER AO COLEGA DONO DESSE BLOG, NOSSA OPINIÃO É IMPORTANTE PRINCIPALMENTE SE ESTAMOS FUNDAMENTADOS NA SINCERIDADE E NA BUSCA PELA VERDADE. CONCORDO COM A AFIRMAÇÃO DO COLEGA SOBRE O SUPOSTA CONVERSÃO DE CONSTANTINO...TUDO NÃO PASSOU DE UMA JOGADA POLÍTICA DA PARTE DE CONSTANTINO. ESSE FATO POR SI SÓ DEVERIA NOS REPORTAR A UMA CUIDADOSA AVERIGUAÇÃO HISTÓRICA DOS FATOS NO QUE SE REFERE ÀS MANOBRAS POLÍTICAS QUE HOUVERAM NA HISTÓRIA POR LÍDERES RELIGIOSOS OU NÃO, PARA SE MANTEREM NO PODER.

Rubens

Ivani Medina disse...


Constantino não se converteu ao cristianismo como se pensa. Suspeita-se que no leito de morte isso possa ter acontecido. Então por que ele apoiou os cristãos? Porque achou interessante convencer outro daquilo que ele mesmo não estava convencido? A história da igreja reconhece que a versão de que na batalha decisiva da ponte Mílvia, contra Maxêncio, Constantino tenha mandado pintar nos escudos dos soldados o símbolo cristão por causa de um sonho, é uma anedota. Propalada nos meios cristãos achegados à corte desde os anos 318-320,

O detalhe mais importante nessa impostura toda era que o cristianismo do Novo Testamento havia surgido na metade do século II e.c., pelas mãos dos gregos, e não dos judeus. A ideia era também conter o proselitismo judaico com um judaísmo falso. Desde o século I e.c., o clima entre gregos e judeus havia esquentado demais em Alexandria. Naquela cidade, a segunda em importância no Império Romano, ainda vigorava o culto a Serápis, deus concebido por encomenda de Ptolomeu I Soter, no século III a.e.c., a um grupo competente liderado por Maneton, sacerdote e historiador greco-egípcio, cuja finalidade era unir gregos e egípcios.

Serápis, como um sincretismo greco-egípcio, incorporou deuses gregos e egípcios, como Osiris (deus dos mortos). Aqueles que cultuavam este deus tinham a tradição de ungir o cadáver com óleo perfumado para sua conservação à vida eterna ou ao além. Karast era o nome egípcio para “ungido”, Christós, em grego. Serápis depois de morto e ungido tornou-se o Karast ou Christós. Aqueles que o cultuavam eram chamados de cristãos e os ligados aos trabalhos no templo, Serapeum, eram os bispos de Cristo.

Aí é que vem o detalhe elucidador: os gregos tinham uma curiosidade investigativa que não se percebe em outro povo antigo com tal acentuação. Invadir um país com um exército numeroso, bem treinado e equipado é o bastante para quem preenche tais requisitos. O problema é manter a conquista e fazê-la rentável o bastante para justificar o investimento de guerra com um bom lucro.

Conhecedores que eram de tantas culturas, os gregos, buscavam seus pontos de contato para formularem novas crenças que os facilitassem. A dominação helênica se deu pelo lado cultural, a exemplo da dominação persa. Foi exatamente o que Alexandre fez depois da invasão do Egito dominado pelos persas. Ele foi recebido como libertador e aproveitou a deixa para pedir a benção dos sacerdotes egípcios. Não se mantém uma grande conquista territorial sem laços culturais firmemente estabelecidos pelo conquistador. Não foi o que aconteceu com o domínio romano sobre o mundo grego. Foi exatamente o contrário.

Do século II ao IV os gregos chegaram ao poder com o cristianismo e começaram a faxina no mundo romano, inclusive contra eles mesmos ou contra os seus que não compartilhavam da solução para a nova realidade. Mas quem levou a pior foram os judeus. Esse cristianismo histórico, que nada tem a ver com o cristianismo literário das “boas novas”, é perfeitamente coerente com o antijudaísmo e a composição com o poder romano que logo daria apoio ao projeto deles. No século IV, quando o homem certo chegou, já estavam posicionados aguardando o apoio político e as verbas.

Constantino desprezava Roma. Foi criado na Ásia Menor e era filho de gregos. A língua da administração e do exército era o latim, um nome latino era importante. Mas o primeiro nome, Constantino, como o nome do pai, Constâncio eram gregos. Constâncio Cloro era um dos muitos militares gregos a serviço de Roma. O problema é quando estamos próximos demais de alguma coisa, com o nariz encostado nela, ainda mais com tanta gente querendo ocultar a verdade por motivos inconfessáveis, não a percebemos de modo algum. Foi o elemento grego que desencadeou todo esse processo de sincretismo religioso que chegou até nós. Caímos no conto do vigário e não no conto do rabino.

Ewerton Nunes disse...

sendo breve, pensando num lado conspirador, não imaginam vocês que constantino poderia ter sido usado para tal manobra em tempo determinado, pra que fosse fundada tal religião, visando um controle maior das massas e concentrando o poder imperial na época numa instituição religiosa, fazendo assim como que até mesmo o próprio imperador pudesse ser removido do seu cargo, por não cumprir os deveres da nova religião fundamentada, sendo assim o poder não estaria mais focado no império e sim na doutrina religiosa.

Obrigado a todos desculpem por qualquer comentário fora de foco.

Jussimar Siqueira disse...

Na verdade ter ou não ter se convertido, não mudou nem mudara a essência do Cristianismo. Apenas concedeu "liberdade de culto". Não há significativa importância em sua suposta conversão.

Ivani Medina disse...

Na verdade o tal sonho de Constantino foi uma invenção do seu mentor, o filósofo cristão Lactâncio. Por que essa história continua na penumbra? Não devia ser assim. No entanto, quando fazemos uma aproximação dos fatos com fatos e não com ideias, é possível outra conclusão. http://cafehistoria.ning.com/profiles/blogs/paguei-pra-ver