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terça-feira, dezembro 25, 2007

Marcão e Gatuno em: O nascimento de Jesus

Era noite, véspera de natal, a casa onde Marcão e Gatuno moram estava lotada. Crianças correndo para todo lado, hinos religiosos sendo entoados a todo momento, enquanto isso, o cachorro estava preso à coleira, próximo a sua casinha nos fundos do quintal. Normalmente, neste horário, por volta da meia-noite, ele já estava solto e a quebra desta rotina o incomodava. Ele estava inquieto, latindo o tempo inteiro como se quisesse "lembrar" aos donos da casa que já estava na hora de soltá-lo, até que a uma certa altura Gatuno passou por ali para ver o porquê daquele escândalo:

- O que está acontecendo, Marcão? Pergunta o gato.

- Até que enfim, alguém me ouviu, tá certo que esse "alguém" na verdade não é "ninguém" hahahaha...brincadeira, Gatuno. Me faz um favor, lembra o pessoal lá que já tá na hora de me soltar.

- Ih, acho que vai demorar pra alguém lembrar de você, Marcão. Responde o gato. Hoje é natal e o pessoal vai demorar pra ir embora.

- Tá e daí? Pergunta Marcão já claramente impaciente.

- E daí o quê?

- Primeiro, o que significa isso: ser natal? E depois, o que isso tem a ver com o fato de estar na hora de eu ser solto?

- Essa estupidez canina sempre me espanta, e na realidade eu já nem sei mais por quê! Vou começar de tráz pra frente então - o que tem a ver é que desde quando você é solto antes do pessoal daqui de casa ir dormir? E mais, desde quando eles te soltam quando tem alguém de fora em casa? Os convidados têm medo de você! E depois, natal é quando se comemora o nascimento do Salvador, Menino Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo! Encerra Gatuno.

- Hum, entendi - Marcão abana a cabeça demonstrando sua concordância - então é hoje! Na realidade disso eu já sabia, só tinha me esquecido. E outra, é que aqui eu fico meio perdido quanto a algumas coisas, e as datas comemorativas são algumas dessa "coisas". E já que você tocou neste assunto, Gatuno, por que o nascimento do "Seu Senhor Jesus Cristo" é comemorado nesta data?

- Hum, não tenho muita certeza, Marcão, mas será que não é porque Jesus nasceu no dia 25 de dezembro do ano 1º? Responde Gatuno, com um sorrisinho sarcástico na fuça.

-hahaha...tapado como sempre foi. Jesus não nasceu no dia 25 de dezembro. Primeiro por que como eu já te falei antes, Jesus é um mito criado pela Igreja Católica, ou seja, nunca existiu. E como alguém que nunca existiu, poderia ter uma data fixada para o seu nascimento?

- Olha, Marcão...

- Calma, Gatuno - interrompe Marcão - já que eu tô preso aqui mesmo, vamos brincar um pouco mais. Vamos fazer de conta que o tal "Menino Deus" (como você disse), de fato existiu. Será que você pode me responder algumas perguntas:

-Claro! Manda Brasa. Responde Gatuno, demonstrando muita confiança.

- Por que 25 de dezembro? Começa Marcão.

- A Virgem Maria -responde Gatuno - recebeu a anunciação de sua gravidez no dia 25 de março. E 25 de dezembro é quando se completa os 9 meses de gestação. Próxima.

- Você tem certeza disso, Gatuno? Me parece que a celebração da anunciação a Maria é menos antiga que a celebração do Natal em dezembro. Questiona, Marcão, ceticamente.

- Tenho! Responde Gatuno, secamente.

- Ok. Por que o nascimento de Jesus tem uma data fixa, e a morte e ressurreição não?

- Como você deve saber tão bem quanto eu, Marcão, o dia do nascimento de Jesus não consta a bíblia, ficando a cargo da Tradição fixá-la. Já a Páscoa encontra previsão em Êxodo 12, 1-14. Nesta passagem Deus ordena que a Páscoa deveria ser celebrada quando houvesse a primeira lua cheia após o equinócio da primavera; ou seja, a Páscoa é ditada pelo ano lunar, que é diferente do ano solar. Então, os primeiros cristãos passaram a aguardar o primeiro domingo após a lua cheia seguinte ao equinócio da primavera para celebrar a ressurreição de Cristo.

- Agora me diz outra coisa: como Jesus poderia ter nascido em dezembro se este é um período de inverno no hemisfério norte, quando chega a nevar por aquelas bandas? Como, os pais de Jesus, poderiam viajar tranquilamente, como se diz? Além disso, a famosa (ou seria a "famigerada?) "Estrela de Belém", citada nos Evangelhos, nada mais foi do que um cometa, que foi visto por volta de abril do ano 5 ou 6 anos antes do início da atual contagem dos anos. Sem esquecer de um dado importantíssimo que os próprios Evangelhos trazem, que se refere ao fato de na época do nascimento de Jesus, não haver vaga nos "hotéis" de Belém, o que, teoricamente, foi o motivo para ele ter nascido na tal manjedoura. Ora, como poderia faltar vagas nos hotéis em pleno mês de dezembro, quando não havia qualquer comemoração especial? Se, e somente se, Jesus um dia existiu, certamente, ele nasceu em abril ou março, quando havia a comemoração da páscoa judaica, que era quando o povo seguia em direção a Jerusalém. Encerra Marcão em tom triunfante.

- Marcão, sinto dizer, mas você gastou saliva a toa, já que a data do nascimento de Jesus é o de menos. A única coisa que importa é que Jesus de fato existiu, como comprovam diversos documentos, conforme eu já te falei. Enfim, o importante para mim, e provavelmente, para todos os cristãos, é além da existência física de Jesus, a linda mensagem deixada por Ele. Rebate Gatuno.

- Hum, déjà vu...

- Tchau, Marcão. Ah, mas antes me diz: tá apertada a coleira? hahahaha...

segunda-feira, abril 09, 2007

Jesus Cristo nunca existiu?

Marcão estava sentado olhando para Gatuno, enquanto este fazia sua oração diária. Ao terminar cada oração, como se fosse uma senha de saída, o gato costuma dizer: "...em nome de Jesus, amém!"

Marcão ouviu aquilo e deu risada. O gato, como já estava acostumado com o fato do cachorro ridicularizá-lo por sua crença, nem ligou. Ao terminar a gargalhada, Marcão chamou o gato.

- Gatuno, ô Gatuno.

- Que foi? Respondeu o gato, sem demonstrar o mínimo interesse.

- Me diz uma coisa: você não se sente enganado, cada vez que se refere a esse tal Jesus? Perguntou Marcão.

- Não, claro que não! Se me sentisse já teria parado de adorá-lo! Respondeu Gatuno.

- Não entendo, Gatuno. Como você pode não se sentir enganado, mesmo sabendo que esse tal Jesus Cristo, nunca existiu? Que ele não passa de um mito criado pela Igreja Católica para enganar pobres coitados como você!!!

- Mas que papo bravo hem, Marcão?! Quem disse que Jesus nunca existiu? De onde você tira essas idéias?!!! Qual a base para você dizer isso? Pergunta Gatuno, já indignado.

- Calma, Gatuno. Uma pergunta de cada vez. Me diga uma única obra antiga, na qual seja feita alguma referência a um tal Jesus.

- Uma só?

- Uma só! Mas uma que esteja fora da Bíblia e que não tenha sido falsificada por um padreco qualquer.

- Você já ouviu falar de Flávio Josefo, Justo de Tiberíades, Filon de Alexandria, Tácito, Suetônio e Plínio, o Jovem?

- Continua previsível, Gatuno. Só te digo uma coisa: tudo o que estes autores, supostamente, falaram de Jesus, não passa de grosseira falsificação como a ciência moderna já comprovou por diversas vezes. Mas vá lá, vamos partir do princípio de que não haja falsificação, nesse caso, é impossível dizer se as referências feitas por estes autores a Chrestus, Cristo ou Jesus, dizem respeito ao Cristo da Igreja Católica, pois estes eram nomes muitos comuns na época naquela região...

- Pois é aí que você se engana, Marcão - interrompe Gatuno - compare a parte relatada, especificamente, por Suetônio, com o versículo 1 e 2 do capítulo 18, dos Atos dos Apóstolos, que está na Bíblia. Ambas as passagens falam da expulsão dos judeus pelo imperador Cláudio.

- O que nada significam! Sem contar que Suetônio, no máximo, apresenta uma pessoa chamada "Chrestus" que estava em Roma, e agora me dá uma luz aí, Gatuno: Jesus vivia em Roma?
E eu ainda não acabei! Note que os documentos relativos ao governo de Pilatos na Judéia, em momento algum relatam que alguém chamado Jesus Cristo, tenha sido preso, condenado e o que é pior, crucificado, conforme está "registrado" - registrado entre aspas, ressalta Marcão - nos evangelhos. Não seria estranho, Gatuno?, os romanos que tanto se orgulhavam do seu sistema jurídico, terem condenado alguém que o próprio soberano local, entendesse inocente?

- Como eu já disse mais de 1 milhão de vezes, Marcão, você está sendo tão dogmático quanto o mais ferrenho cristão. Jesus Cristo existiu e isso é fato! Só não vê quem não quer. E você, pelo jeito, não quer ver.

- Pelo contrário, Gatuno, eu quero ver! Além disso, não fuja do tema. Se Jesus tivesse mesmo existido, seu julgamento teria sido documentado, pelo bem organizado, Império Romano.

- Os sacerdotes judeus se encarregaram de apagar os vestígios, Marcão. Sem contar que não existem apenas os 4 quatros evangelhos bíblicos relatando a vida de Jesus. Existem outros, aos montes, como você mesmo já citou em outras conversas nossas.

- O quê? Pergunta, Marcão, tentando demonstrar espanto. Quer dizer que agora estes evangelhos são válidos? Que bela contradição! Em todo caso, não importa quem esteja contando, isso não desmitifica a figura de Jesus. Não é porque a história do Papai Noel é contada por várias pessoas, em diversos locais diferentes que ela é verdadeira. Não concorda comigo? Além disso, como os sacerdotes judeus iriam destruir os documentos romanos? Você só pode estar de brincadeira, Gatuno!

- Marcão, para os cristãos, o problema da existência de Jesus Cristo diz respeito somente à fé, e não à história.

- Tá bom, Gatuno, então me prove que o seu Jesus existiu ou existe sei lá, que eu começo a adorá-lo, imediatamente. Agora, me dá licença que eu não paciência para ouvir suas pregações.

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Marcão e Gatuno em: A contradição do ateísmo.

Era mais de meia-noite e Marcão já estava solto no quintal, quando ele ouve alguém conversando. Uma das vozes lhe soava bem conhecida, a outra não. Era Gatuno em mais uma de suas tentativas de converter seus amigos. Marcão foi se aproximando de mansinho até sair em disparada na direção dos gatos, neste momento o amigo de Gatuno se assusta e desaparece. Gatuno na maior tranquilidade, olha para o cachorro e lhe indaga sobre o porquê daquilo, ao que o cachorro responde:

- Vim salvar o seu amigo! Com certeza ele está me agradecendo agora. Esse seu papo crente é muito chato, Gatuno!

- Prá você pode até ser chato, mas para ele não estava sendo, isso eu te garanto. Responde o gato, indignado.

- Gatuno - pergunta Marcão - quantas vezes eu vou ter de falar que Deus não passa de uma mera invenção humana?

- Invenção humana!! Hahaha...como os cachorros são burros mesmo!!!! Ironiza Gatuno.

- Isso mesmo: invenção humana. Quer uma prova maior de que Deus não existe do que o fato de nós, cachorros, passarmos o dia inteiro presos a uma coleira? Na real, Deus foi criado quando algum ser humano preguiçoso, decidiu que não iria mais trabalhar, então criou uma figura, super poderosa, prá tomar dinheiro de otários, como você.

- Sabe o que eu penso, Marcão? Que eu não tenho fé para ser ateu, por isso creio em Deus!

- Fé para ser ateu?? Acho que a bíblia tá fundindo o seu cérebro, já pouco desenvolvido. De qualquer forma, vai lá, Gatuno: me apresente uma única prova da existência desse seu Deus!

- O ateísmo é bem contraditório, Marcão, afinal como você mesmo acabou de resumir, essa doutrina que você defende com unhas e dentes, diz que só se deve aceitar como verdade aquilo que a razão pode comprovar empiricamente. Ocorre que esta doutrina não apresenta nenhuma prova convincente para dizer - "Deus não existe!" E o pior é que vocês não param por aí! Vocês dizem que como não existe qualquer prova da existência de Deus, por este motivo, Ele não existe. Ora, Marcão, isso é uma forma de "apelo à ignorância"! A falta de provas não é uma prova! Ainda que na sua concepção, não existam provas da existência de Deus, isso não é uma prova que Ele não exista! Enfim, esses supostos ateus, são tão "crentes" quanto eu ou qualquer um da minha igreja.

- E a recíproca é verdadeira - interrompe, Marcão, já pouco disposto a continuar a conversa - não é porque eu não provo que Deus existe, que ele, automaticamente, passa a existir.

- Sim, por isso eu tenho fé! Responde, Gatuno, convicto.

- Eu não tenho fé, isso é coisa prá tipos como você, Gatuno. Eu sei que Deus não existe. Se existe, então me explica por que ninguém mais consegue falar com ele como nos tempos bíblicos?

- Os tempos são outros, Marcão, além disso, você está querendo mudar o foco da discussão. Aceitar que o mundo se originou de uma explosão, por exemplo, demonstra que o sujeito tem mais fé do que qualquer teísta jamais cogitou ter. Não esqueça, Marcão, daquele antigo princípio matemático - que por falar nisso, é resultado da razão, a mesma razão que você eleva a uma condição quase Divina - no qual se afirma que 0 X 0 (zero vezes zero) é igual a 0 (zero). Em outras palavras, do nada, nada surge. Então, como dizer que o mundo foi simplesmente auto-gerado?

- Se é assim, eu quero que Deus venha agora aqui e fale comigo! Desafia, Marcão.

- De novo isso, Marcão? Nós já falamos sobre isso antes, além do mais, com isso você só prova que não conhece o poder glorioso do nosso Senhor...

- Pode parar, pode parar, com a sua pregação sacal, Gatuno. Guarde isso para quem tem saco prá te ouvir, porque eu não tenho. E agora me dá licença que eu tenho coisas mais interessantes prá fazer.

- Pode ir, mas pense nisto. O ateísmo é altamente, contraditório. Encerra Gatuno.

quarta-feira, novembro 29, 2006

Se Deus não existe no que está fundada a Moral?

Era madrugada, Marcão estava deitado em sua casinha, quando ouve um ruído, ele se levante imediatamente e dispara na direção do barulho. Chegando lá, depara-se com um sujeito que acabara de pular dentro do quintal da casa, o cachorro gruda na coxa do sujeito, ficando ali por "muitas horas" (ao menos no ponto de vista do assaltante), ao final arranca-lhe uma lasca de carne que sai regada a muito sangue. O rapaz grita de dor, acordando toda a vizinhança. A ambulância é chamada e o invasor é levado. Na manhã seguinte, quando os ânimos descontraem, Gatuno vai conversar com seu colega:

- Por que você fez aquilo na perna do cara? Você não deveria ter feito isso, Marcão! Afirma o gato.

- Não deveria por quê? Pergunta Marcão, em tom desafiador.

- Isso é imoral! Você viu como ficou a perna dele. Pensa na dor que ele deve ter sentido. Pode ter certeza que a Moral Divina reprova, violentamente, este seu ato!

- Eu simplesmente agi conforme manda minha natureza, Gatuno. Além disso, eu tenho a minha própria Moral, até porque, para existir uma "Moral Divina" é preciso haver um "Deus". Responde Marcão, com uma ponta de ironia.

- Marcão, a moral só tem razão de existir se Deus existir. Como afirma Dostoiévski, falando pela boca de seu personagem, Ivan Karamazov: "Se Deus não existe, então tudo é permitido."

- Gatuno, você está misturando Moral com Religião. Se é assim, então como você explica o fato de alguns ateus se submeterem a princípios morais, tão rígidos quanto muitos teístas?

- Essas pessoas, obviamente, são influenciadas pelos adeptos da Moral Divina. Até porque, Marcão, assim como leis jurídicas precisam de um legislador que as crie, a Moral requer igualmente, uma fonte última de moralidade. Isto é, os valores morais, para terem autoridade, devem possuir uma origem exterior aos indivíduos cujo comportamento, pretende regular.

- Você, está confundindo as coisas - responde Marcão - os valores morais são internos e bem mais profundos que o teísmo jamais sonhou alcançar. Já Deus, é uma questão separada e externa, em momento algum eles se entrecruzam.

- Marcão, não tente enganar a si próprio. Lembre-se que você tem o conhecimento, portanto, quando chegar perante Ele - neste momento, Gatuno aponta para o céu - ninguém poderá alegar ignorância invencível em sua defesa.

- Não sabe o que dizer, Gatuno?

- Levar uma vida Moral somente se explica - complementa Gatuno - se efetivamente existir um Deus e uma vida após a morte. Isto é, somente se houver um Deus apto a julgar os atos praticados na Terra é que poderemos ter a certeza de que uma vida virtuosa poderá ser também proveitosa. Isso significa que se Deus não existir, como você apaixonadamente defende, quem se conduzir de modo errado não será punido, o bem não será recompensado. Diante disto, qual será o benefício de alguém levar uma vida correta, no sentido Moral da palavra, se no final teremos apenas o fim da consciência? O apóstolo Paulo demonstra com maestria que se não existe vida além do túmulo, correto estão os hedonistas. Outra coisa, qual seria a fonte dos preceitos morais, senão Deus? Deus é o início e o fim de tudo, Marcão, inclusive da Moral.

- Papo furado! Não existe Deus ou qualquer ente supernatural na base da moralidade. Os códigos morais são alcançados de modo consensual, graças à orientação das regras inatas e empíricas do próprio povo a que se destinam. A Moral pode ser explicada de modo biológico, é inata, a evolução dotou todos nós* da capacidade de distinguir, intuitivamente, o que é certo do que é errado. A Moral, na forma como a conhecemos, nos foi imposta por nossos genes, para nos obrigar a cooperar. Enfim, como eu disse, não existe fundamento externo para a Moral...

- Pelo que você diz, nós seríamos bons por natureza, entretanto, veja em Lucas que Jesus diz que nós somos maus, derrubando sua tese por completo. Entenda que a noção de certo e errado inerente à todos nós, não pode ser explicada de modo biológico e muito menos pela experiência.

- "Marcão, vem cá Marcãozinho". Era a dona da casa, interrompendo a conversa para recompensar o cachorro por sua bravura naquela madrugada.

* Marcão e Gatuno imaginam estar no mesmo nível dos seres humanos, por isso em momento algum se excluem deste debate Moral, entretanto, neste ponto ambos estão equivocados, pois as regras morais regulam tão-somente o comportamento humano.

domingo, outubro 08, 2006

Seriam os seres humanos "semi-deuses"?

Era algo em torno de 2:00 da manhã, Marcão já estava solto no quintal, quando alguém mexe no portão, o cachorro começa a latir muito, até perceber que se tratava do dono da casa, neste momento imediatamente ele pára com os latidos e começa a pular e abanar o rabo, o sujeito entra e manda Marcão sair de perto, pois não estava com paciência para brincar. O animal sai todo borocoxô. Gatuno acompanhou tudo e caiu na gargalhada:
- Eu não sei por que você fica todo contentinho quando um dos humanos aparece! Na maioria das vezes eles te mandam sair de perto.
- Não sabe? Indagou Marcão. Pois eu é que me admiro de você não fazer o mesmo, ou até mais do que eu faço.
- Não faço porque não sou idiota como você. Responde o gato.
- Gatuno, você acredita na bíblia e mesmo assim não presta nenhuma adoração aos humanos?! Sei não hem?
- Lá vem você de novo Marcão. Por que você diz isso?
- Por nada!
- Começou agora termina, Marcão.
- Não, não é nada mesmo, é que segundo a sua bíblia, me parece que o homem é quase um deus.
- O quê???!!! Você viaja demais, Marcão. Já te falei, ore a Deus e peça discernimento para entender as Escrituras.
- Viagem? Então tá bom, vê lá comigo Gatuno, em Gênesis 3, 5 e 22. Perceba que Deus no versículo 22 confirma as palavras da serpente ditas no versículo 5, isto é, nem você mesmo pode dizer que a serpente estava mentindo. Isso significa que a única diferença entre o homem e Deus é que Este vive eternamente. Ou não? Depois pega lá em Salmos 82 e veja que o narrador afirma que Deus se levanta no meio de uma assembléia, onde existem outros deuses. Sendo Javé o único deus, como você diz, quem seriam estes outros "deuses"? Você concorda comigo que só poderia ser o homem?
- Não! Não é isso que está escrito ali, isso que você está dizendo não passa de uma injustificável suposição. Responde Gatuno.
- Não? Tem certeza Gatuno? Neste momento, Marcão, fala com um sorrizinho sarcástico na fuça, enquanto completa - Se eu fosse você começaria a prestar culto aos humanos, pois o seu Deus não deve estar muito contente com você não. Lembra do que disse aquele seu amigo* o Deus de vocês é um deus de ira.
- Marcão, até que em algumas situações você diz algumas coisas com um certo sentido, mas agora você forçou, hem? Dizer que o homem é Deus!!!! Isso não chega nem a ser uma blasfêmia, isso não passa de uma idiotice.
- Como idiotice? Lá em Gênesis está claro que Deus fala com os outros deuses (mas ele não é único?) que o homem ao comer da árvore do conhecimento do bem e do mal, se tornou um deles e que por isso deveria ser expulso do paraíso, caso contrário ele comeria da árvore da vida e viveria eternamente. Acabando com a única diferença entre ambos, ou seja, o homem se transformou num Deus com prazo de validade.
- Marcão e suas interpretações totalmente equivocadas do Livro Santo. Quer saber? Vou dormir que eu ganho mais.
Ao ver o gato indo embora, Marcão fala em voz baixa:
- Eu me divirto com esse gato. Mas, será que todos os crentes são como o Gatuno?

* Aqui é a segunda vez que cito o comentário que um teísta conhecido como Spadina deixou num outro diálogo entre Marcão e Gatuno.

sábado, agosto 19, 2006

Marcão e Gatuno em: Deus mudou?

Gatuno ao sair de casa, passou por Marcão cantando uma música, cuja letra dizia que Deus não muda. O cachorro ao ouvir, disse:
- Você tem certeza disso?
- Do quê? Perguntou Gatuno sem entender do que se tratava.
- Disso que você está cantando. Você tem certeza que Deus não muda?
- Claro que tenho! Respondeu Gatuno, com um ar indignado. - Deus é o mesmo ontem, hoje e sempre.
- Sabe Gatuno, eu sempre tive algumas dúvidas a respeito do Deus do Antigo Testamento e o adorado por vocês no Novo Testamento. A mim, parece que se ambos forem o mesmo, então você está errado, pois ele muda sim! Agora, se você estiver certo, e ele realmente não mudar, então o Cristianismo não é uma continuidade do Judaísmo.
- Marcão, pára!! Você não tem intimidade com Deus, por isso fica falando essas barbaridades!! Ore, peça a Deus que te ajude a entender as Escrituras. Só assim você poderá salvar a sua alma.
- Pare de falar besteiras - exclamou Marcão - e me responde uma pergunta: quando a música diz que Deus não muda, isso é dito em qual sentido? Aparência? Opinião?
- Opinião. Deus não muda de conteúdo, não muda de personalidade e nem de humor. Ele não muda porque é perfeito. Nós seres formados de matéria, somos propensos a mudar de opinião, porque somos imperfeitos e algumas vezes nos enganamos, porém Deus não se engana nunca, por isso não precisa mudar de opinião.
Após ouvir a resposta, Marcão abre um sorriso, e diz:
- Gatuno e sua já notória alienação religiosa. E solta uma gargalhada.
- Qual a graça? Pergunta Gatuno.
- Deus não muda de conteúdo? Então veja lá na sua Bíblia em Gn. 6, 6 e Ex. 32, 11-14, isso só pra começar. E em seguida, compare o AT com o NT. Ou simplesmente, veja em Mateus no famoso "Sermão da Montanha". Não são casos de mudança de opinião?
- Marcão, apesar da Bíblia ser Divinamente inspirada, a gente não pode esquecer que ela foi escrita pela mão de homens. Por isso pode ser que existam falhas no modo de redigir o texto. Pois, volto a repetir, Deus não muda!
- Tá certo! Responde Marcão, emendando em seguinda. - Então me responde outra coisa - você acredita que o Deus judaico e o Deus cristão são deuses diversos, certo?
- Tá doido, Marcão, claro que não!! O cristianismo é uma continuidade do judaísmo, tanto que a nossa Bíblia conserva o AT integralmente.
- Gatuno, você bem sabe que eu não acredito em Deus, mas vocês cristãos modernos estão equivocados na sua própria crença. Você já ouviu falar nos gnósticos?
- Acho que já, mas não sei muito sobre eles, apenas que são blasfemadores. Responde Gatuno.
- Pois é. Os gnósticos eram cristãos, e eles tinham uma forma diferente de interpretar os ensinamento do seu Jesus. Inclusive, eles concordam com você! Para eles Deus realmente não muda, entretanto, o Deus do AT é um e o Deus do NT é outro. Há pouco tempo apareceu um texto gnóstico, cujo autor supostamente, seria Judas, o traidor, lá está bem claro que o AT e o NT referem-se a deuses distintos. Fato este muito lógico, uma vez que ambos são retratados de maneira totalmente diferente, e como você mesmo sustenta: "Deus não muda"!
- Desculpe Marcão, eu acho que me enganei - fala Gatuno, com um aparente constrangimento - quando se diz que Deus não muda, na verdade fala-se isso em referêcia à forma. Ele é espírito, ou seja sua natureza é totalmente diferente da matéria, portanto imutável.
- Sei Gatuno, depois a gente se fala de novo. Encerra Marcão.

terça-feira, julho 25, 2006

Marcão e Gatuno em: É possível falar com os mortos?

Ficção

Todos os dias após o café da manhã, a família de Flavionei realizava seu culto doméstico, durante a semanda ele se esquivava alegando que tinha de ir trabalhar, entretanto aos sábados e domingos não havia essa desculpa, muitas vezes, para não precisar participar do evento, dizia que precisava estudar uns relatórios e saía para o quintal, sentava-se ao lado de Marcão, o cachorro da casa que estava sempre preso à coleira, e começava a falar com o animal. Seu assunto preferido era criticar aqueles chamados por ele de "crentes". Flavionei, diferente de Marcão, não é ateu, pelo contrário, acredita em Deus, ele só não acredita na bíblia, entende que os redatores desta, humanizaram demais a figura Divina, no entanto isso ele nunca teve coragem de falar à sua esposa, apenas o cachorro sabia desse seu lado sombrio.

Num desses sábados, após terminar o café-da-manhã, Flavionei apanhou alguns papéis, disse que precisava analisar alguns relatórios para uma reunião segunda-feira pela manhã, pegou sua cadeira e a colocou ao lado da casinha de Marcão, que ficou ouvindo o seu desabafo, que como não podia deixar de ser, se dirigia contra os religiosos, dizia ele que a maioria, apesar de "idolatrar" a bíblia, mal sabe o conteúdo dela.

Enquanto isso, dentro da casa, a mãe e os dois filhos estavam estudando a bíblia, nesse momento Gatuno se coloca embaixo da mesa e fica ouvindo a conversa dos moradores do local. Quando o culto se encerra o gato sai para o quintal e vai trocar algumas idéias com o cachorro, Flavionei percebendo que o culto já havia terminado entrou e foi assistir televisão. Os dois animais ficaram ali conversando até que Marcão disse que um vira-lata amigo seu comentou ter presenciado uma conversa de uma mulher com o seu marido falecido. Ao ouvir isso, Gatuno respondeu:

- Isto é impossivel! Sem falar que também é, totalmente, desnecessário, um vivo falar com um morto!

- Quem disse que é impossível e desnecessário? Indaga Marcão, lançando um olhar desconfiado sobre o gato.

- Primeiro é impossível porque ao morrer a comunicação é cortada; e desnecessário porque a bíblia fala claramente em Eclesiastes, 9, 5, que os mortos nada sabem! E se nada sabem, qual a vantagem de falar com eles? Para alguém vivo é impossível manter contato com um ser que esteja morto, isto porque a ressurreição se dará apenas na segunda vinda de Jesus.

- Sabe, Gatuno, essa deve ser a primeira vez que nós concordamos! Também não acredito nessa história de necromancia...

- Poxa, será que isso é bom? Interrompe Gatuno.

- Não sei! Mas eu sou ateu, e não acredito em nada dessas coisas de espírito, diabo, etc. Enquanto isso, você supostamente é um cristão. E os cristãos, além de acreditarem em tudo isso, ainda idolatram a bíblia!

-Correção! Exclama o gato - Não idolatramos a bíblia! Idolatrar só a Deus!

- Se é impossível, Gatuno, por que existe em Dt. 18, 11, uma proibição de se falar com os mortos? Ora se é proibido isso significa que é possível!

- Vou te explicar uma coisa Marcão: Quando alguém pensa que está se comunicando com um morto, na realidade está se comunicando com espíritos malígnos que surgem das profundezas do inferno.

- E o que você me diz de 1Sm. 28, do versículo 3 em diante? Questiona Marcão.

- Eu já ouvi falar dessa história. Ali fica claro que a necromante, estava enganando o rei Saul. É só você ler com atenção.

- Eu acho que você é quem tem de ler a bíblia com atenção, Gatuno! Se é que já leu isso algum dia.

- Olha, Marcão, quer saber? Você é especialista em retirar um texto do seu contexto, prá tentar fazer valer as suas teses mirabolantes. Pois saiba que desse jeito você só engana a si próprio. Leia o texto, inserido no seu contexto e você verá a besteira que está falando!

- Gatuno, você é uma piada!!!! Corre lá dentro leia a sua bíblia, e você verá a besteira que acabou de falar! Isso de "texto" de "contexto", é uma frase feita, que os crentes sempre usam quando não sabem o que responder!!

- Bom, tirando um pequeno detalhe, finalmente concordamos em algo relativo à bíblia! Encerra Gatuno.

domingo, julho 09, 2006

Marcão e Gatuno em: Por que Deus não fala em aberto com as pessoas?

Ficção
Era uma bela manhã de quarta-feira, Marcão, como de costume, estava preso à sua coleira nos fundos da casa - ele só era solto durante as noites - quando vê Gatuno passando em disparada, perecia um tiro, o gato corria atrás de um rato, isso acontecia frequentemente, e via de regra ele conseguia alcançar os pobres, mas desta vez foi o dia da caça, e o rato conseguiu escapar. Gatuno ficou muito contrariado por não pegar o seu joguete, pois esse gato ao mesmo tempo era brincalhão e cruel, ele não comia os ratos que caçava, apenas os usava como se fossem seus brinquedos.
Entretanto, quando voltava para o seu cesto no interior da casa, ouviu o cachorro lhe chamar:
- Gatuno, ô Gatuno, vem aqui.
O gato não queria muito papo, preferia voltar paro o seu cesto e pensar numa estratégia para pegar o rato na próxima oportunidade que surgisse. Mas diante da insistência de Marcão se aproximou.
- Tudo bem Marcão? Fala o que você quer. Disse ao chegar perto da casinha nos fundos do quintal.
- Você anda comentando as nossas conversas com o pessoal da sua igreja*? Indaga o cachorro.
- Só as mais interessantes. Responde.
- Imaginei! Sabe que nesta madrugada, veio um gato aqui, que deve ser seu amigo, e falou um monte de coisa prá mim. Ele disse que aquela deveria ser a sua resposta, e na hora que eu fui responder ele simplesmente foi embora. Falou Marcão, num tom ainda amistoso.
Neste momento, o gato soltou uma sonora gargalhada, e perguntou de forma quase incompreensível:
- O que ele disse?
- Antes de falar o que ele disse, eu quero te dizer outra coisa Gatuno: você não deve explicar bem o que a gente conversa aqui, porque ele acrescentou bem pouco à conversa, o que ele trouxe de novo foi responder a pergunta que deu início ao nosso debate e você, lamentavelmente, tinha respondido errado. Ele veio dizer que a besta e o diabo não são a mesma pessoa.
- Então eu sei quem foi que veio aqui. Foi um irmão da minha igreja mesmo, quando eu contei a nossa conversa, ele já tinha me esclarecido isso. Ele citou uma passagem do Apocalipse né? Nesse momento o gato, já havia deixado de lado as gargalhadas e mostrava-se um tanto envergonhado.
- Pois é, e no mais, dando uma boa resumida, ele disse exatamente o que eu havia dito a você. Que os crentes devem ter mais medo de Deus que do diabo, pois como ele mesmo disse: "Deus nunca escondeu que é um Deus de ira. Veja em (Números 14:18)". Ah sim, e ele disse também que os cães não vão para o céu. E quem disse que eu quero ir para o céu? Eu não acredito em nada disso!
- Tá bom Marcão, deixa isso prá lá, e me diz: Por que você não crê em Deus?
- Não creio porque não há nada comprovado e tudo fica no campo das suposições. Responde o cachorro, agora enfiando-se em sua casinha.
- Mas tem de provar tudo prá você Marcão?
- Tem! Se você não provar, infelizmente eu não vou me convencer. Se algum dia a ciência provar a existência de Deus, eu renego tudo o que eu disse até hoje, sem problema algum, e vou para a igreja com você!
- Bom, em primeiro lugar, se isso pudesse acontecer, você ainda não estaria acreditando em Deus, você estaria acreditando na ciência, depois, isso nunca acontecerá pois Deus quer que nós ACREDITEMOS nele, e não que SAIBAMOS que ele existe. E continua. - Ora, não seria bem mais fácil que Ele em algum momento da nossa vida aparecesse na nossa frente? Se isso acontecesse eu duvido que você mesmo Marcão, não seguisse a Ele.
- É verdade - diz o cachorro - seria bem mais fácil mesmo. Se é que Ele existe, por que isso não acontece?
- Como eu disse antes, uma coisa é você acreditar, ter fé em alguma coisa, e outra bem diferente, é você saber de alguma coisa. Jesus deixa isso bem claro em duas passagens do evangelho, pega a sua bíblia aí, e confere comigo:
- Em Lucas 16, 19-31, quando Lázaro morre...
- Que é uma parábola. Interrompe Marcão.
- É - responde o gato meio vacilante - na bíblia aparece como parábola, no entanto existe uma corrente doutrinária que defende a tese de que esta é uma história real, pois nas parábolas as personagens são anônimas, e aqui existe um nome - "Lázaro" - isso teria sido uma falha de Jerônimo, o padre autor da "Vulgata", ou seja, a bíblia traduzida para o latim, que teria introduzido a palavra "parábola" indevidamente. Porém isso não importa agora, leia lá os versículos 27-29:
27 - O rico disse: "Nesse caso, Pai Abraão, peço que mande Lázaro até a casa do meu pai
28 - porque eu tenho cinco irmãos. Deixe que ele vá e os avise para que assim não venham para este lugar de sofrimento."
29 - Mas Abraão respondeu: "Os seus irmãos têm a Lei de Moisés e os livros dos Profetas para os avisar. Que eles os escutem!"
Agora leia João 20, versículos 25, 27-29:
25 - Então os outros discípulos disseram a Tomé: - Nós vimos o Senhor! Ele respondeu: - Se eu não vir o sinal dos pregos nas mãos dele, e não tocar ali com o meu dedo, e também se não puser a minha mão no lado dele, não vou crer!
[...]
27 - Em seguida disse a Tomé: - Veja as minhas mãos e ponha o seu dedo nelas. Estenda a mão e ponha no meu lado. Pare de duvidar e creia!
28 - Então Tomé exclamou: - Meu Senhor e meu Deus!
29 - Você creu porque me viu? - disse Jesus. - Felizes são os que não viram, mas assim mesmo creram!
- Entendeu por que Deus, ou qualquer de seus anjos, não falam conosco de viva voz, como era comum nos tempos das Escrituras? Torno a repetir, Deus não quer que a gente saiba sobre Ele, quer que acreditemos n'Ele. Encerra o gato, em tom triunfante.
- Entendi! Entendi o que você quer dizer, mas como eu já dissera: sem prova sem convencimento! Agora dá licença Gatuno, que esse papo já tá longo demais e eu tenho mais o que fazer! Na tonalidade em que se expressou, notava-se facilmente a irritação do cachorro.
- Sei, tem muito o que fazer! Eu vou embora, por que eu sim, tenho o que fazer. Na próxima, aquele rato não me escapa!


* Aqui me refiro a um comentário anônimo deixado num outro diálogo entre Marcão e Gatuno:

http://formadordeopiniao.blogspot.com/2006/06/marco-e-gatuno-em-onde-est-o-perigo-em.html

domingo, junho 18, 2006

Marcão e Gatuno em: Onde está o perigo, em Deus ou no diabo?

Ficção

No último dia 5 de junho, mais ou menos por volta das 10 horas da noite Gatuno entrou embaixo de uma das camas da casa, e não havia nada que o fizesse sair de lá! No dia seguinte miou o dia inteiro, ninguém aguentava mais, nos dias seguintes, o bichano parou a "miação", porém continuou embaixo da cama. Por isso a família passou a levar a comida e a água, para o local escolhido pelo animal para permanecer inexplicavelmente por tanto tempo, inclusive vale ressaltar, o local fedia mais que banheiro público. Ontem ele pôs a cabeça para o lado de fora, mas sem criar coragem para sair, até que hoje, ainda ressabiado, deu uma passeada pela casa, uma olhada para o lado de fora, nisso viu Marcão deitado despreocupadamente em sua casinha, preso à coleira no quintal, o que anivou o gato a ir lá fora trocar algumas idéias com o cachorro.

Chegando perto de Marcão, este olhou espantado para Gatuno e lhe perguntou:

- Nossa Gatuno, onde você esteve por todo esse tempo?

- Estava rezando! Você não fez isso também?

- Claro que não! Responde o cachorro indignado! - Não vejo motivo para isso!

- Como não vê motivo? Você sabe o que teve neste mês de junho? A fatídica data de 06/06/06, ou seja, o "dia da besta", e você diz que não vê motivos para rezar!

- E daí? Não aconteceu nada!

- Lógico que não aconteceu nada, eu estava esse tempo todo rezando!

- Oh, muito obrigado Gatuno - diz o cachorro com um sorriso irônico na fuça - senão fosse por você todos estaríamos mortos! O planeta Terra tem uma dívida eterna com você! Mas o que é essa besta afinal? O diabo? Pergunta Marcão.

- Sei lá, eu acho que sim! Responde o gato meio confuso.
- Me responde outra coisa então Gatuno: você tem mais medo do diabo ou de Deus?

- Realmente o que dizem sobre os cachorros, é a mais pura realidade! Vocês são burros demais! Claro que é do diabo!

- Pois, se eu acreditasse em Deus, diabo, essas coisas todas que você acredita, eu teria mais medo de Deus!

- Lá vem você de novo né, Marcão! Por quê?

- Você lê a bíblia Gatuno?

- Leio!

- Então você devia saber disso. Biblicamente falando, Deus e o diabo não são inimigos! O diabo é um auxiliar de Deus, e como todo auxiliar, ele só faz o que o chefe manda! Pra usar o termo correto - o diabo faz o trabalho sujo para Deus.

- CARAMBA! Espanta-se o gato. Você pirou de vez! Biblicamente falando? Que piada! E de péssimo gosto ainda!

- Então vamos aos fatos: pegue lá 1ºSamuel 16, 14-15, 23, e tem mais, ainda nesse mesmo livro, mas no capítulo 18 versículo 10, veja agora o que está escrito no capítulo 19, 9. Em todas essas passagens o autor faz refefência a um tal "espírito mau", ora quem seria esse espírito mau? A resposta a gente vê daqui a pouco. Agora dá uma olhada lá em 1 Reis 22, 19-23. Quem é aquele espírito que se levanta e diz que vai induzir o rei Acabe, em erro? Eu te digo, ou melhor a sua bíblia te diz lá em Jó 2, 1-7, mas atente para o que diz o versículo 1 deste capítulo:

"Chegou de novo o dia em que os servidores celestiais vieram apresentar-se diante de Deus, o SENHOR, e Satanás também veio no meio deles."

- E mais, para você não dizer que isso é coisa dos antigos judeus, Gatuno, veja lá em Mateus 4, 1:

"Então o Espírito Santo levou Jesus ao deserto para ser tentado pelo Diabo"

- Perceba Gatuno, que ali é dito que Jesus foi levado para ser tentado, isto é, o diabo participava ativamente, deste suposto "plano Divino da salvação". Por isso estou dizendo que se você tem de ter medo de alguém, esse alguém é Deus, pois biblicamente falando, o diabo só faz o que Deus permite, ou determina. Entendeu?

- Por sorte eu sou um democrata Marcão, e como diria Voltaire se estivesse no meu lugar agora:

"Eu não concordo com uma palavra do que você disse, mas vou lutar com todas as minhas forças para permitir que você diga essas baboseiras!"

Tudo o que você disse não passam de suposições, conjecturas. Ora, se você não acredita, para você Deus não existe, e se ele não existe por que perder tanto tempo estudando algo que não existe? Questiona Gatuno, já meio desconsolado.

- Eu passo o dia inteiro aqui preso nessa coleira, não posso fazer nada, então fico me divertindo com a sua Bíblia.

- Tchau Marcão, tenho mais o que fazer!

terça-feira, maio 30, 2006

Marcão e Gatuno em: Uma conversa que não levou a nada

Ficção

Gatuno dormia tranquilamente em seu cesto que ficava grudado a um dos cantos da sala, quando a empregada o expulsou para limpar o chão da casa. Meio contrariado ele se levantou e foi para o quintal, mas não sem antes dar uma bela espreguiçada, daquelas que só mesmo um gato consegue fazer. Ao chegar no local encontrou Marcão esparramado ao sol nos fundos da casa, este deu apenas uma olhada para o bichano, aparentemente sem querer muito papo, entretanto, Gatuno nunca se importou com isso, ele sempre foi mais falador que o cachorro e soltou:

- O que você tá fazendo?

- Estou descansando. Respondeu Marcão fazendo o mínimo de esforço para se mexer.

- Ah é? Se exercitou demais hoje é? Você é um vagabundo!

- Não enche! Disse o cachorro que sem demonstrar qualquer irritação, continuou sem se levantar. - Gatuno, você acredita na Bíblia?

- Claro! Que pergunta idiota! Responde o gato espantado.

- Então você acredita que o mundo foi criado como está lá?

- Sem dúvida.

- Sobre isso, algo me intriga, Gatuno! Respondeu o cachorro - Segundo está escrito no versículo 3º do primeiro capítulo do Gênesis, Deus primeiro criou a luz no primeiro dia, "mas, porém, todavia, contudo" - Marcão adorava este tipo de ênfase - "Ele" ou "ele", não sei, fez o sol no quarto dia. Isso não é estranho?

- Você não entende quando lê a bíblia, seu cão! A luz criada por Deus antes das estrelas era de alguma outra fonte desconhecida por nós, talvez viesse do próprio Deus! Afirma o gato já perdendo a paciência.

- Que loucura! Além disso a bíblia diz que  as plantas foram criadas no terceiro dia e as estrelas, o sol e a lua, no quarto!!! Será mesmo que as plantas conseguiriam viver sem sol? Indaga o cachorro, agora sentando-se e olhando nos olhos do gato.

- O meu Deus é o Deus do impossível. Rebate, Gatuno.

- E tem mais, como que a criação do mundo se deu em dias se os dias só passaram a existir quando surgiu o sol?

- Marcão, deixa eu te falar uma coisa: não adianta você tentar entender Deus, Ele é incompreensível para qualquer um de nós! Você vai acabar ficando louco! Outros já tentaram isso que você está tentando hoje e... não estão mais entre nós.

- Nossa que medo! E não acaba por aí! Diz o cachorro em tom ainda mais desafiador. - Você acredita mesmo que o homem foi criado antes da mulher e por mera conveniência de Adão?

- Acredito na Bíblia de capa a capa, se está lá é porque assim o foi! Rebate Gatuno.

- Então porque os homens, em sentido estrito, tem mamilos? Já pensou nisso? Se não, eu te digo o porquê: o embrião é feminino até que numa certa altura da gestação os hormônios vêm e o transformam em masculino, mas aí, digamos assim, é tarde demais, e certas características não podem mais ser mudadas. Será que essa "lei natural" só passaria a "vigorar" - Marcão adorava fazer aspas com suas patas - depois da criação do primeiro casal. Aliás, se a bíblia está certa, Adão não tinha mamilos!

- Olha, Marcão, quero te dizer que sem uma orientação divina você nunca vai entender os desígnios de Deus. Só depois de você abrir sua alma e deixar que o Espírito Santo de Deus aja sobre si, é que você vai obter as respostas a estas perguntas chatinhas que você sempre faz.

- Mas você não sabe no que acredita, Gatuno, não consegue me explicar nada!

- Eu sei no que creio. Jesus disse: Bem aventurado os que creem sem ver. - Gatuno não fazia aspas com as patas. - Bom, o papo tá legal, mas eu tenho de ir - diz o gato - vou encontrar uns amigos, até!

- Até...

terça-feira, maio 23, 2006

Marcão e Gatuno em: A chegada

Religião


Os filhos - um casal de gêmeos - de Flavionei, iriam completar 5 anos dali a dois dias, quando ele passou em frente a uma loja de animais e viu uns filhotes numas gaiolas e resolveu levar para presentear seus filhos, para a sua filha, Ana Paula, comprou um filhote de gato siamês, e para o Cláudio, adquiriu um cachorrinho pastor alemão.

Quando chegou em casa foi aquela festa, e assim continuou por alguns dias, até os pobres animais perderem o status de novidade.

Ao gato foi dado o nome de Gatuno, e ao cachorro de Marcão, e os dois foram crescendo, sem nunca terem qualquer tipo de entrevero, muito pelo contrário, ambos estavam sempre juntos, nem pareciam cão e gato, fora este detalhe, para as pessoas, eram dois animais comuns, mas entre eles, em nada lembravam os outros animais. Conversavam muito, sobre todos os assuntos, sobre os seres humanos, os outros animais, entre outros assuntos.

Certa vez Marcão notou que a mãe das crianças chorava muito enquanto falava, aparentemente sozinha. Mas uma palavra lhe marcou: "Deus" - ela repetia essa palavras toda hora e isso o deixou intrigado, até que foi falar com seu amigo:
- Gatuno, você sabe o que quer dizer "Deus"?

- Claro que sei, Marcão! Deus é amor, é carisma. Deus é o criador de mim e de você! Deus é o que de mais maravilhoso pode existir...

- Você já o viu? Interrompe o cachorro intrigado.

- Na realidade, eu não! Ninguém nunca viu!

- Você sabe mais sobre ele?

- Eu sei o que ouço dos humanos quando conversam a respeito.

- Hum interessante...encerra Marcão, enquanto sai pela porta ruminando o assunto.

quarta-feira, maio 17, 2006

É possível provar a existência de Deus pela Bíblia?

Religião

Ontem conversando com alguns cristãos, percebi que normalmente eles costumam invocar a Bíblia, quando pretendem provar a existência de Deus. Durante aquele bate-papo informal eu tentei provar a eles que isso não é possível e que tal atitude não passaria de uma enorme falácia, isto é, um erro lógico.

Explicando melhor a minha argumentação, vale esclarecer que os lógicos, identificaram uma espécie de pensamento inválido chamada petição de princípio, este, consiste na utilização de um argumento que prova a tese, assumindo a sua veracidade como premissa. Exemplificando temos que: ""A" é verdadeira porque "A" é verdadeira".

Extamente por isso, a petição de princípio é um argumento que não serve para nada, isso significa que não é possível provar qualquer proposição com ele. Resumindo, afirmar que alguém cometeu a falácia denominada petição de princípio, significa que este pretendeu provar algo partindo do princípio que sua tese já era aceita.

Bom, voltando ao tema deste post, temos que a Bíblia vista por quem não acredita em Deus não passa de mais um livro como outro qualquer, portanto, nada garante que tudo ali descrito seja realmente verdadeiro.

Para alcançar seu objetivo, de provar que Deus existe citando a Bíblia, o sujeito tem de partir do princípio que o ouvinte (ou leitor), aceita que a Bíblia é a palavra de Deus. Ou seja, ele quer provar a existência de Deus, partindo da premissa (princípio) que a Bíblia é a palavra de Deus, dizendo diferente - que Deus existe!
Portanto, para provar a existência do Ente Supremo, outros meios devem ser utilizados.
A Bíblia no máximo serviria para "esclarecer" algo já anteriormente aceito.

E para encerrar respondendo à indagação contida no título: Não!

sexta-feira, maio 05, 2006

Incongruência Religiosa

Religião

Desde a publicação do livro Código Da Vinci, virou lugar comum atribuir à Maria Madalena os mais variados adjetivos (não sei se já era assim antes, ou se eu é que comecei a prestar atenção nisso depois de ler o livro), alguns dizem que ela seria a apóstola mais importante de Jesus, outros, como o próprio Dan Brown autor do citado romance, a qualificam como esposa de Jesus, e outros vão mais além, dizendo que ela seria a representação da “deusa cristã”. O presente post se propõe a analisar esta última qualificação. Ainda segundo o mencionado autor, os antigos judeus, no Antigo Testamento, adoravam tanto o Deus masculino Jeová (ou Javé) como sua correspondente feminina, Shekinah, talvez esse seja o fundamento de onde partem os defensores da divindade “madalenística”, para chegar a esta conclusão. No entanto, afirmar que Deus carrega uma faceta feminina e outra masculina denota uma inaceitável simplificação da imagem Divina. Isto porque Deus como espírito que é, não pode ser definido como homem ou mulher! Assim como não faz sentido definir o sexo dos anjos, a mesma regra se aplica ao chamado Ente Supremo, pelas mesmas razões. O sexo, masculino ou feminino, é uma característica estritamente carnal, que não pode ser atribuída a um espírito.

Certamente, a culpa desta distorção recai sobre os autores bíblicos que retratam Deus com características exageradamente humanas, como dizer que Deus se zanga ou se alegra, como qualquer ser humano. Alguns, podem fazer a seguinte pergunta: então porque Deus teria vindo como homem, e não como mulher? Tendo vindo para todos não seria lógico supor que ele viesse nas duas formas humanas possíveis? Para responder a essa pergunta é necessário analisar o contexto da época. Naquela ocasião, a voz feminina não seria ouvida, e mesmo assim, Jesus estava cercado de mulheres, inclusive, nós podemos, afirmar, sem qualquer receio de errar que Jesus foi um feminista, numa época em que tal termo provavelmente, ainda nem existisse. As religiões cristã, judaica, e muçulmana, distinguem-se das demais, principalmente pelo fato de adorarem apenas um único Deus, que seria formado apenas por espírito, sendo que por este motivo não há que se falar em Deus, homem ou mulher, sendo descabida qualquer tentativa nesse sentido.

Um equívoco que dura 15 séculos

Religião

Tudo começou com o sermão proferido pelo Papa Gregório, O Grande, no ano de 591. Nele existe a seguinte afirmação:

“Aquela que Lucas chama de pecadora que João chama de Maria (de Betânia) acreditamos ser a Maria de quem, segundo Marcos Jesus expulsou sete demônios”.

Ou seja, o citado Sumo Pontífice afirmou que Maria Madalena, Maria irmã de Marta e Lázaro e a mulher que unge Jesus na casa de Simão, o fariseu leproso, seriam a mesma Maria. Deste momento em diante, Maria Madalena passaria a ser conhecida a prostituta arrependida perdoada por Jesus. Essa posição ganhou contornos dogmáticos, tornando-se doutrina católica por vários séculos até que em 1969, sem qualquer alarde, este entendimento foi revisto. Nesta ocasião houve a separação entre as mulheres mencionadas.

Ocorre que, biblicamente falando, tal entendimento mostra-se totalmente equivocado, sendo este o escopo do presente artigo, tentar demonstrar a imprecisão histórica de se juntar todas as "Marias", numa só.
Para isso vejamos: Lucas 8, 1-3 apresenta a seguinte redação:


"1 - Logo depois disso, andava Jesus de cidade em cidade, e de aldeia em aldeia, pregando e anunciando o evangelho do reino de Deus; e iam com ele os doze,
2 - bem como algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demônios.
3 - Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes, Susana, e muitas outras que os serviam com os seus bens".


Este texto deixa claro que Maria Madalena, após ter sido exorcizada, transformou-se numa das seguidoras de Jesus, estando sempre com ele, sendo uma das pessoas que sustentava o Ministério deste. Diante disto, infere-se facilmente ainda, que a mulher da qual Jesus expulsou 7 demônios, seria rica. Em Lucas, 7, 36-39 encontra-se o seguinte dado histórico:


"36 - Um dos fariseus convidou-o para comer com ele; e entrando em casa do fariseu, reclinou-se à mesa.
37 - E eis que uma mulher pecadora que havia na cidade, quando soube que ele estava à mesa em casa do fariseu, trouxe um vaso de alabastro com bálsamo;
38 - e estando por detrás, aos seus pés, chorando, começou a regar-lhe os pés com lágrimas e os enxugava com os cabelos da sua cabeça; e beijava-lhe os pés e ungia-os com o bálsamo.
39 - Mas, ao ver isso, o fariseu que o convidara falava consigo, dizendo: Se este homem fosse profeta, saberia quem e de que qualidade é essa mulher que o toca, pois é uma pecadora"
.


Como visto, em Lc, 8, 2-3, Maria Madalena acompanha a peregrinação de seu mestre, portanto não faria sentido dizer que apesar de estar junto deste, ela não soubesse onde o mesmo estaria. Não restam dúvidas que esta mulher “pecadora”, a despeito de o amar muito, não estava sempre em sua companhia. Em João 11, 1-2 e 12, 3, a mulher anônima que ungiu Jesus é identificada como a irmã de Marta e Lázaro, isto é, a pecadora é a mesma Maria de Betânia, mas não Maria Madalena, in verbis:


"11...
1 - Ora, estava enfermo um homem chamado Lázaro, de Betânia, aldeia de Maria e de sua irmã Marta.
2 - E Maria, cujo irmão Lázaro se achava enfermo, era a mesma que ungiu o Senhor com bálsamo, e lhe enxugou os pés com os seus cabelos."

"12...
3 - Então Maria, tomando uma libra de bálsamo de nardo puro, de grande preço, ungiu os pés de Jesus, e os enxugou com os seus cabelos; e encheu-se a casa do cheiro do bálsamo."


Em seguida, outra passagem bíblica deve ser colacionada para ser objeto de análise, trata-se novamente do livro de Lucas agora em seu capítulo 10, versículos 38-39:



"38 - Ora, quando iam de caminho, entrou Jesus numa aldeia; e certa mulher, por nome Marta, o recebeu em sua casa.
"39 - Tinha esta, uma irmã chamada Maria, a qual, sentando-se aos pés do Senhor, ouvia a sua palavra"
.



Interpretando sistematicamente o Livro Sagrado dos cristãos, resta evidenciado que as Marias referidas em Lc, 8,2, e em Lc, 10, 39, são pessoas distintas. A primeira já havia sido mencionada no mesmo Evangelho, inclusive com seu traço distintivo, qual seja, Madalena, note-se ainda, que em todos os evangelhos, nas ocasiões onde há referência a esta discípula, o termo está presente. Diante do exposto, está biblicamente provado que a mulher citada nos evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas, (sendo chamada ainda, de pecadora por este último) ungindo Jesus é na realidade Maria de Betânia, irmã de Marta e Lázaro, e não Maria Madalena como sugerem algumas denominações cristãs, bem como alguns padres católicos, ainda nos dias de hoje.