Independentemente da versão que se dê mais crédito, em todas elas, Robin Hood sempre é retratado como um ladrão bondoso, que se preocupava com o sofrimento da camada mais carente da população que vivia na Inglaterra dos séculos XI/XII, por isso roubava dos ricos para em seguida dar aos pobres. Em outras palavras: um herói! Será isso mesmo?
Partindo do princípio de que Robin Hood é uma figura histórica e que sua atividade mais relevante consistia em tirar dinheiro de quem tinha para dar a quem, supostamente, não tinha, ainda assim de forma alguma pode-se dizer que se trata de um herói. Esta possível generosidade tão propalada por todos os cantos, por certo não seria motivada por sua enorme bondade de coração. Tratava-se de puro interesse, já que a melhor forma de garantir que os moradores de um local não denunciem um bandido é este procurar ganhar a simpatia dos nativos. Pois o silêncio obtido pela política do medo pode ser violado pelo anonimato.
Conquistar a simpatia dos moradores locais é o melhor meio de garantir uma vida mais segura a quem comete qualquer tipo de delito. No Brasil, Lampião seguiu esta cartilha tão bem que chegou a ser chamado pelo "The New York Times" de "Robin Hood da caatinga". Aqui em Curitiba, semana passada, moradores de um bairro controlado por um grande traficante, tentaram impedir que a Polícia Militar o prendesse, chegando inclusive, a enfrentar os policiais que entraram no local para prender o criminoso. No Rio de Janeiro, os traficantes costumam bancar festas, tratamentos médicos, entre outras benesses para a população local. Em todos estes casos, a população além de respeitar os bandidos pelo medo, são agradecidos pelas supostas bondades praticadas por eles.
Por isso, penso que se Robin Hood realmente existiu, nada tinha de herói, não passando de um bandido esperto, que viveu numa época na qual o Estado, personificado na figura Rei João Sem Terra, era muito odiado e por isso muita gente acabou ficando ao seu lado, como ficaria ao lado de quem se atrevesse a enfrentar o soberano. Se há algo a se reconhecer na pessoa de Robin Hood, talvez seja sua inteligência de ter sido o precursor desta prática de conquistar a simpatia dos moradores de um determinado local, trazendo estes para o seu lado para que não o denunciem, e só.