sábado, agosto 05, 2006

Os super-heróis e a ideologia pregada

Não, não! Eu não pretendo tecer qualquer tipo de comentário sobre o filme "Quarteto Fantástico", isso eu deixo para o Éder no seu "Cinema e Pipoca". Aqui a abordagem deverá girar em torno da relação entre os super-heróis e a ideologia. O pôster do filme foi colocado no alto do post, por dois motivos: o primeiro e mais óbvio, é porque a Jéssica Alba aparece em primeiro plano e o segundo, é que ao assistir a este filme, foi quando me veio a idéia para o tema deste texto.

Como disse, estava eu assistindo ao filme do Quarteto Fantástico, quando comecei a viajar nas histórias em quadrinhos que retratam a vida dos super-heróis. A maioria tem uma sistemática muito parecida - via de regra, o super-herói busca proteger a sociedade, o Super-Homem, criado em 1938 e primeiro representante gênero, é o melhor exemplo a ser citado, mas não o único, Batman, e o próprio Quarteto Fantástico também podem ser usados como exemplo. Os super-heróis estão, geralmente, ao lado do "bem". E o que os roteiristas entendem por "bem"? Para eles o melhor para todos nós, é a manutenção da ordem social existente. Por isso, o "bem" sempre deve vencer o "mal". E o que seria o "mal"? A mudança na estrutura do poder, isso seria o pior que poderia ser imposto ao planeta. Perceba que se em alguma hipótese o representante do "mal" vencesse a guerra, eles assumiriam o poder e, consequentemente, os detentores deste poder estariam fora. Isto é, o caráter ideológico desses seres sobre-humanos, está sempre presente em suas histórias.

Surgimento dos super-heróis

Essa relação com a manutenção do poder, pode estar relacionada com a época de surgimento de grande parte dos super-heróis existentes hoje no mundo das HQs. Estes seres começaram a surgir na esteira dos eventos verificados na 2ª Guerra Mundial e na época da guerra fria, nas quais, os grandes inimigos eram o nazismo e sucessivamente o comunismo. Neste momento, o povo norte-americano sente-se ameaçado, imaginando que o seu "american way of life" encontra-se sob forte risco de desaparecer, por isso procuram por todos os meios se precaver contra qualquer ameaça neste sentido. Três exemplos podem ser mencionados - o Super-Homem, chamado pelos nazistas de judeu, surgiu neste contexto. Ele personifica o inimigo dos nazistas, posicionando-se claramente em favor dos Estados Unidos.

Depois, temos o Homem de Ferro, que surgiu no contexto da guerra do Vietnã, na qual o inimigo eram os comunistas orientais.

Por fim, vale citar o exemplo mais forte, o Capitão América. Esta personagem, surgiu durante a 2ª Guerra Mundial. O soldado Steve Rogers serviu de cobaia num experimento científico, cujo objetivo era criar soldados norte-americanos sobre-humanos para combater na 2ª Grande Guerra. Ele teria sido o responsável por várias vitórias do exército norte-americano, impedindo assim que uma nova Ordem fosse estabelecida naquela sociedade.

No entanto, vale dizer ainda que as histórias dos super-heróis, por estarem sempre carregadas de forte conteúdo ideológico, não estão dirigidas somente a inimigos externos. Note-se que tais histórias pregam ainda a apatia política e social, pois mostra que quem se levanta contra o sistema, representa o mal, e aqueles que lutam pela manutenção do mesmo, são os "mocinhos" e sempre vencem no final. Sobre isso existe até aquela famosa frase: "o bem sempre vence no final". Com isto, procura-se incutir na mente dos mais jovens, já que este é o público alvo das histórias em quadrinhos, que o melhor é se adaptar ao sistema, ainda que este não lhe agrade, do que se levantar contra ele, pois no final, o sistema vigente vai continuar vigente, e o revoltado será derrotado!

sexta-feira, agosto 04, 2006

Cadê a transparência, Transparência Brasil?


A campanha pela "'Cassação popular'de Políticos anti-éticos", sofre um duro golpe!

A "Máfia das ambulâncias" está se notabilizando por ser o maior e mais bem documentado escândalo de corrupção já praticado no país! A lista de parlamentares - tanto em pleno exercício do mandato, quanto outros que já não exercem mais cargos eletivos - ultrapassou a marca de 100 nomes há muito tempo. Neste cenário, sobrou até para um famoso empresário e ex-deputado, conhecido por sua "luta" contra a corrupção na vida pública: seu nome é Emerson Kapaz, membro do conselho deliberativo da "Transparência Brasil", ONG fundada em abril de 2000 por um grupo de indivíduos e organizações não-governamentais supostamente comprometidos com o combate à corrupção.

Esta entidade, lançou uma campanha bem parecida com a que eu lancei neste blog, para convencer o eleitor a não votar em "mensaleiros" e "sanguessugas". Entretanto entre eles, existe um "sanguessuga", chamado Emerson Kapaz. O Diego Casagrande em seu blog faz uma dura, mas pertinente crítica à citada ONG.

O mais frustrante de tudo isso, é que dessa forma, todos os que participam de movimentos parecidos com o levado adiante pela "Transparência" acabam caindo em descrédito perante a população, que no frigir dos ovos não distingue entre os envolvidos, vindo abaixo toda a possível credibilidade que um dia tais campanhas possam ter alcançado.

Não se fazem mais evangélicos como antigamente

Mais um post da campanha "Pela cassação popular dos políticos anti-éticos".

O título do post de hoje, pode parecer meio (ou muito!) clichê, no entanto, eu usei esse famoso dito popular porque ele se encaixa bem no tema ora abordado. Aqui eu pretendo chamar a atenção para a chamada "Frente Parlamentar Evangélica", que conta hoje com cerca de 60 deputados, sendo que destes, 28 têm seus nomes incluídos na lista dos "sanguessugas". Deve ser ressaltado ainda que a igreja Universal (foto) elegeu 16 deputados federais nas últimas eleições, e 14 estão na lista, tem gente inclusive, que marca presença nos escândalos do mensalão e das ambulâncias, como por exemplo, é o caso do ex-deputado Bispo (ou Carlos) Rodrigues.

A revista Época da última semana, traz um quadro onde esclarece à qual denominação evangélica pertence cada um dos deputados evangélicos sob suspeita. A reprodução está abaixo:

Universal - 14;

Assembléia de Deus - 10;

Igreja do Evangelho Quadrangular: 2;

Batista: 1;

Igreja da Graça (R.R. Soares): 1.

Entretanto, a justiça pede que se faça um registro. A IURD, na tentativa de minimizar os estragos causados à sua imagem, vem tentando convencer os envolvidos, pertencentes a seus quadros, a não disputarem as próximas eleições, inclusive, o bispo Edir Macedo, dono do grupo, já deu declarações avisando que a igreja não dará qualquer suporte financeiro a quem tenha seu nome ligado à qualquer falcatrua.

Diante de tanta malandragem, eu fico imaginando o que pensam os membros das citadas denominações cristãs.

terça-feira, agosto 01, 2006

"Barracos" virtuais

Momento diário

A internet é um ambiente estranho! Situações quotidianas e banais, que no mundo real não trariam maiores consequências, aqui são amplificadas numa tal forma que ganha ares de guerra declarada. Eu tenho percebido que no mundo virtual, em especial no Orkut - site de relacionamentos dominado por brasileiros - as pessoas encontram tempo para entrar em discussões sem o menor sentido. Eu participo de várias comunidades no Orkut, em algumas sou mais ativo, em outras menos, noto que principalmente naquelas dedicadas a "blogueiros", um simples comentário menos elogioso de alguém sobre o blog do outro, já é motivo para ser criado um belo "barraco". No entanto como eu disse, brigas virtuais não são privilégios das comunidades direcionadas a quem tem blog, dando uma passeada por outros foros de debate, isso fica perfeitamente claro.
Discussões acaloradas atualmente são tão comuns que fica difícil encontrar alguém que nunca tenha participado de uma. Eu mesmo já discuti feio, numa comunidade chamada "Aborto=Homicído (sic) planejado". Quem me conhece, sabe que sou da favor da descriminalização de algumas formas de aborto, nessa comunidade eu defendi essa posição, entretanto encontrei uma senhora, que me respondeu à altura, a discussão foi tão quente, que o moderador acertadamente, acabou me expulsando, já que os demais membros não devem ser obrigados a aturar contendas particulares.
Então diante destas constatações, tenho indagado a mim, mesmo sobre a razão dessas discussões ocorrerem com tanta frequência. Ao que me parece, dois fatores influem decisivamente:
1º - A virtualidade da discussão, somada à sensação de anonimato, parecem deixar quem participa de qualquer discussão via internet, mais confiante na hora de ofender a parte contária;
2º - No caso das discussões ocorridas no Orkut, um fator deve ser ressaltado - ali as pessoas falam! Em razão de participarem deste foros de debates, sentem-se compelidas a expor suas opiniões, enquanto que na vida real, nem sempre somos obrigados a dizer o que pensamos. Seja por receio de ofender alguém, seja porque ninguém está interessado nessa opinião. E ao ser analisada grande parte dessas discussões, virtuais ou reais, resta evidenciado que a maioria esmagadora delas, se originam numa divergência de opiniões. O ser humano, via de regra, não suporta ser contestado, ele está sempre esperando ser "aplaudido", e nunca está pronto a receber uma crítica negativa.
Então, a meu ver este seria o verdadeiro motivo do Google, dono do Orkut, ao criar este programa, ter possibilitado aos membros, a oportunidade de entrar em alguma comunidade temática, isto porque se não houvesse tal possibilidade, o site não teria polêmicas, e em pouco tempo, ao perder o status de novidade, as pessoas deixariam de ter interesse, e não seria a febre que é hoje, ao menos no Brasil.
Por tudo isto, eu entendo que brigas no mundo internético, nunca terão fim.

sábado, julho 29, 2006

Suzane Richthofen e o pensamento social

Quotidiano

Gislaine, é filha de um bem sucedido empresário paulista, mora em Alphavile, região que abriga a elite paulistana, sempre viveu uma vida sem conflitos familiares, e seus pais sempre a trataram da melhor forma possível, hoje é médica, está casada, com dois filhos;
Eduardo, nasceu numa família que é proprietária de uma rede de concessinárias de veículos novos, morou no Batel, bairro nobre curitiba, quando contava com seus 16, 17 anos, juntava-se com alguns amigos para disputar um racha na avenida Batel, atualmente encontra-se com 29 anos, está casado, e é juiz federal em Londrina;
Suzane Richthofen, filha de um alto funcionário público do Estado de São Paulo, e de uma psiquiatra, a família conta com um patrimônio avaliado em 2 milhões de reais, há alguns anos atrás, matou seus pais, hoje está condenada a mais de 30 anos de prisão... opa, calma lá!!! Alguma coisa está errada! Este é o sentimento da maioria da população brasileira que acampanhou o caso.
"Crimes como o de Suzane Richthofen não conseguem ser explicados"
Afirma o professor Luciano Elia, do Instituto de Psicologia da UERJ. Por isso, esse crime chocou a opinião pública. Saliente-se que o senso comum, ao longo da existência humana, estabeleceu a premissa de que a falta de oportunidade leva o ser humano à revolta, por isso quem levasse uma vida cheia delas, nunca cometeria qualquer espécie de crime.
Vivemos hoje numa sociedade em pânico, a todo momento ouve-se falar em casos de homicídio, estupro, latrocínio ( que é o famoso "matô prá robá"), entre outros crimes, um mais revoltante que o outro. Então por que este crime aflorou tanto os ânimos sociais?
"Assassina!" Esbraveja Sonia Abrão, em seu programa vespertino.
"Ela tem que morrer" Grita uma anônimo no momento em que a ré chegava ao Tribunal do Júri.
"Fedelha assassina", são as palavras do promotor do caso, Roberto Tardeli, num dos dias do julgamento.
Esses são apenas alguns exemplos, acessando alguns blogs, encontramos mais alguns casos sobre esse ódio gerado contra Suzane von Richthofen.
Nessa tarefa de tentar responder à pergunta inicial, em primeiro plano, vale destacar que esse ódio, tem um forte componente religioso, pois a bíblia ao listar os "10 mandamentos" coloca em 5º lugar o respeito absoluto aos pais. Suzane, violou este dever divinamente imposto, isto por si só permite a reprovação do ato, autorizando a aplicação de severa sanção à autora. No entanto, isso não é tudo - a moça em momento algum (desconsiderando a entrevista concedida ao "Fantástico") demonstrou arrependimento, pelo contrário, hoje todos sabem que após executar o plano, Suzane e o namorado Daniel Cravinhos, mantiveram uma rotina normal, dirigindo-se inclusive a um motel, pedindo a suíte presidencial, e enquanto estavam na delegacia antes de serem descobertos, trocavam carícias dignas dos melhores filmes pornôs. Então agora surge outro ingrediente que não pode ser desconsiderado: o dinheiro. Ela estava brigando na Justiça para receber seu quinhão na herança dos pais, ou seja, restou evidenciado, que sua intenção seria tirar os pais do caminho, uma vez que estes se opunham ao namoro dela com Daniel, receber a parte dela no "bolo", e viver essa paixão, rica e sem qualquer tipo oposição paterna. Imagine se ela alcança esses objetivos? Este é o maior medo que pessoas comuns sentem. Todavia a classe mais abastada, que controla os meios de comunicação, diga-se de passagem, não quer fazer parte do próximo "caso Richthofen" e espera que a punição de Suzane sirva de exemplo negativo para seus filhos. Assim como o lobo-mau, na história da Chapéuzinho Vermelho, e o diabo na cultura cristã, representam todo o mal que possa existir, Suzane é alguém que quebrou todas as regras mais caras no convívio social, levando as pessoas a acreditar que a moça deva levar junto com ela - se fosse possível - para o túmulo, mas como não é, para trás das grades tudo aquilo que elas mais repugnam em si próprias.





terça-feira, julho 25, 2006

Marcão e Gatuno em: É possível falar com os mortos?

Ficção

Todos os dias após o café da manhã, a família de Flavionei realizava seu culto doméstico, durante a semanda ele se esquivava alegando que tinha de ir trabalhar, entretanto aos sábados e domingos não havia essa desculpa, muitas vezes, para não precisar participar do evento, dizia que precisava estudar uns relatórios e saía para o quintal, sentava-se ao lado de Marcão, o cachorro da casa que estava sempre preso à coleira, e começava a falar com o animal. Seu assunto preferido era criticar aqueles chamados por ele de "crentes". Flavionei, diferente de Marcão, não é ateu, pelo contrário, acredita em Deus, ele só não acredita na bíblia, entende que os redatores desta, humanizaram demais a figura Divina, no entanto isso ele nunca teve coragem de falar à sua esposa, apenas o cachorro sabia desse seu lado sombrio.

Num desses sábados, após terminar o café-da-manhã, Flavionei apanhou alguns papéis, disse que precisava analisar alguns relatórios para uma reunião segunda-feira pela manhã, pegou sua cadeira e a colocou ao lado da casinha de Marcão, que ficou ouvindo o seu desabafo, que como não podia deixar de ser, se dirigia contra os religiosos, dizia ele que a maioria, apesar de "idolatrar" a bíblia, mal sabe o conteúdo dela.

Enquanto isso, dentro da casa, a mãe e os dois filhos estavam estudando a bíblia, nesse momento Gatuno se coloca embaixo da mesa e fica ouvindo a conversa dos moradores do local. Quando o culto se encerra o gato sai para o quintal e vai trocar algumas idéias com o cachorro, Flavionei percebendo que o culto já havia terminado entrou e foi assistir televisão. Os dois animais ficaram ali conversando até que Marcão disse que um vira-lata amigo seu comentou ter presenciado uma conversa de uma mulher com o seu marido falecido. Ao ouvir isso, Gatuno respondeu:

- Isto é impossivel! Sem falar que também é, totalmente, desnecessário, um vivo falar com um morto!

- Quem disse que é impossível e desnecessário? Indaga Marcão, lançando um olhar desconfiado sobre o gato.

- Primeiro é impossível porque ao morrer a comunicação é cortada; e desnecessário porque a bíblia fala claramente em Eclesiastes, 9, 5, que os mortos nada sabem! E se nada sabem, qual a vantagem de falar com eles? Para alguém vivo é impossível manter contato com um ser que esteja morto, isto porque a ressurreição se dará apenas na segunda vinda de Jesus.

- Sabe, Gatuno, essa deve ser a primeira vez que nós concordamos! Também não acredito nessa história de necromancia...

- Poxa, será que isso é bom? Interrompe Gatuno.

- Não sei! Mas eu sou ateu, e não acredito em nada dessas coisas de espírito, diabo, etc. Enquanto isso, você supostamente é um cristão. E os cristãos, além de acreditarem em tudo isso, ainda idolatram a bíblia!

-Correção! Exclama o gato - Não idolatramos a bíblia! Idolatrar só a Deus!

- Se é impossível, Gatuno, por que existe em Dt. 18, 11, uma proibição de se falar com os mortos? Ora se é proibido isso significa que é possível!

- Vou te explicar uma coisa Marcão: Quando alguém pensa que está se comunicando com um morto, na realidade está se comunicando com espíritos malígnos que surgem das profundezas do inferno.

- E o que você me diz de 1Sm. 28, do versículo 3 em diante? Questiona Marcão.

- Eu já ouvi falar dessa história. Ali fica claro que a necromante, estava enganando o rei Saul. É só você ler com atenção.

- Eu acho que você é quem tem de ler a bíblia com atenção, Gatuno! Se é que já leu isso algum dia.

- Olha, Marcão, quer saber? Você é especialista em retirar um texto do seu contexto, prá tentar fazer valer as suas teses mirabolantes. Pois saiba que desse jeito você só engana a si próprio. Leia o texto, inserido no seu contexto e você verá a besteira que está falando!

- Gatuno, você é uma piada!!!! Corre lá dentro leia a sua bíblia, e você verá a besteira que acabou de falar! Isso de "texto" de "contexto", é uma frase feita, que os crentes sempre usam quando não sabem o que responder!!

- Bom, tirando um pequeno detalhe, finalmente concordamos em algo relativo à bíblia! Encerra Gatuno.

quinta-feira, julho 20, 2006

Mais um "mensaleiro" na disputa!

Política

A Justiça do Distrito Federal negou o pedido de liminar feito pelo PMDB paranaense para impedir que o ex-deputado federal José Borba concorra nas próximas eleições. Este cidadão da foto acima, renunciou antes de ser julgado por envolvimento no esquema do mensalão, para não correr o risco de ficar sem poder participar da próxima disputa, ou seja, com esta decisão, o citado candidato, provavelmente, poderá concorrer, pelo mesmo PMDB, sem qualquer impedimento.
Todo o problema na Justiça ocorreu porque ele registrou sua candidatura no Tribunal Regional Eleitoral (TRE), apesar de estar fora da legenda do partido.
Portanto, se você é do Paraná, aqui temos mais um "digno" representante da classe da "políticalha" corrupta!

segunda-feira, julho 17, 2006

Por que sou contra a política de "cotas raciais"

Estão para serem aprovados no Congresso Nacional dois projetos de lei, que entre outros objetivos, visam garantir um número mínimo de vagas em universidades públicas e concursos igualmente públicos, destinadas a quem se declare "afro-descendente". Se estas leis forem de fato aprovadas, creio que estaremos cometendo um erro homérico, pois com elas, o Brasil estará dividindo a população brasileira em duas categorias raciais: "afro-descendentes", e "não-afro-descendentes", o que evidencia o pior tipo de preconceito que poderia existir, o Oficial.

Vale dizer que, embora separar os seres humanos em raças, seja insubsistente do ponto de vista biológico, pois a idéia de "raça" há muito foi sepultada pelos estudiosos que se debruçam nas pesquisas sobre as variações biológicas dos seres humanos, isso não significa que o preconceito contra negros inexista, no entanto, é preciso deixar claro que na maioria das vezes este preconceito está fundado na questão social e não "racial", isto ocorre em função de no Brasil a análise social se sobrepor à análise racial.

Ora, existem poucos negros sentados nos bancos universitários de nosso país? Claro que existem! Na minha turma da faculdade na PUCPR, nós tínhamos como colega, no início apenas um, no decorrer do curso entraram mais dois, sendo que um deles desistiu. Assim, numa turma de formandos de mais ou menos 60 alunos, apenas dois eram negros. Mas então, eu agora lanço alguns questionamentos: será que a barreira que impede o acesso de negros às universidades, está exclusivamente na tonalidade de suas peles? Será que a maior barreira não está no poder aquisitivo? Será que o problema não é que uma grande parcela da população negra tem baixo poder aquisitivo, como grande parte da população, branca, parda, indígena, etc.? Será que a questão antes de ser racial, não é social? Será que investir na melhoria do ensino fundamental público, em infra-estrutura, reduzir a carga tributária e possibilitar o desenvolvimento econômico do país, não seriam medidas mais acertadas?

Por isso ao que me parece, nossos deputados e senadores, mais uma vez seguiram pelo caminho mais cômodo de jogarem para a torcida. Atacam o efeito, mas deixam de agir na causa. Com estas medidas, eles estão tentando nos convencer de que se preocupam em atender as necessidades de uma classe, supostamente, mais frágil; porém, analisando a questão a fundo, fica claro que não é bem assim, já que no exato momento em que as citadas leis entrarem em vigor, o cidadão brasileiro passará a questionar a "raça" de cada para definir seus direitos, exatamente como ocorria na Alemanha hitlerista! A curto prazo, estas leis poderiam possibilitar um rápido acesso de negros aos bancos universitários e aos cargos públicos, entretanto, no médio/longo prazo o resultado pode vir a ser catastrófico, pois políticas dirigidas a algumas classes sociais isoladas, em nome de uma alegada "justiça social" em vez de reduzir o preconceito, provavelmente deverá causar o efeito inverso, porque aquela pessoa preterida em função de uma política estatal que a exclui, sem motivos relevante, deverá sentir-se injustiçada, possibilitando o surgimento de um ódio até então inexistente contra este estrato beneficiado, gerando intolerância, por conseguinte, conflito. Cumpre salientar ainda, que um cidadão negro é tão capaz quanto qualquer outro, isto é, de forma alguma precisa ser "carregado" por quem quer que seja.

O ideal é que sepultemos de vez a idéia de "cotas", sejam elas sociais ou raciais - já que estas políticas, são fruto da preguiça e/ou incompetência do Estado na formação educacional dos mais carentes, embora as cotas sociais ainda sejam mais justificáveis - e procuremos implantar em nosso país uma sociedade na qual, em geral, ninguém precise incluído ou excluído pela cor da sua pele, religião, orientação sexual, ou ainda, pelo tamanho de sua conta bancária.

Por fim, cabe ressaltar, que a meu ver, as melhores formas do Brasil vencer a batalha contra a exclusão social (note que eu me referi à exclusão social, não racial!) esteja na busca pelo desenvolvimento econômico, neste caso haveria necessariamente a criação de novas vagas de trabalho, possibilitando ao cidadão de qualquer "cor", incrementar ou mesmo ter uma renda. Todavia, além disso, o Estado deveria investir na criação de serviços públicos, abertos a todos, sem privilégios, e principalmente investir no ensino fundamental e médio, uma vez que o desenvolvimento econômico e social brasileiro, efetivamente, passa pela educação.